França enfrenta quarto dia de greve nos transportes

Apenas 20% dos trens funcionam no país; Alemanha encerra paralisação sem acordo com ferroviários

Efe,

17 de novembro de 2007 | 12h10

O transporte ferroviário e urbano na região de Paris ainda apresenta problemas neste sábado, 17, no quarto dia consecutivo da greve convocada pelos sindicatos contra a reforma do modelo de previdência dos trabalhadores do setor. Em Paris, devem funcionar hoje 20% dos trens do metrô e 40% dos ônibus, segundo um porta-voz da companhia pública que administra a rede de transportes na cidade e na sua periferia. No serviço ferroviário, a estatal SNCF prevê a circulação de 180 trens de alta velocidade, contra os 700 de um dia normal. As outras linhas de longo percurso terão um funcionamento igualmente reduzido. Na região de Paris, as linhas funcionam no máximo com a terça parte da capacidade. A greve começou na quarta-feira. A negociação entre governo e sindicatos ainda não começou, por isso o Executivo se reservou o direito de aplicar seu projeto de reforma, que afeta 500 mil trabalhadores, passando de 37,5 para 40 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria integral. O governo condiciona a abertura das negociações a uma volta ao trabalho, o que os sindicatos não admitem. As centrais estão inclinadas ao diálogo, mas as bases manifestaram em assembléias seu desejo de manter a greve. Em 1995, uma greve de três semanas no setor de transportes públicos, também motivada pelas aposentadorias especiais, acabou obrigando o governo a retirar o projeto de lei. Agora os sindicatos exigem que o governo esclareça alguns pontos das propostas, consideradas "vagas", antes de pôr fim ao movimento. Segundo a BBC, o governo francês reitera que não irá abandonar o projeto de aumentar o tempo de contribuição, que seria equiparado ao dos demais funcionários públicos e ao setor privado. No entanto, as autoridades francesas estudam compensações e novos cálculos que poderiam resultar em aumentos nos valores das aposentadorias. Greve na Alemanha O sistema ferroviário retorna aos poucos ao normal na Alemanha após uma greve de três dias, considerada bem-sucedida pelo presidente do sindicato de maquinistas (GDL), Manfred Schell. No entanto, as razões que impulsionaram a mobilização continuam pendentes, pois a empresa estatal Deutsche Bahn, não atendeu às reivindicações salariais do GDL. "Estamos felizes. O resultado desta greve foi um sucesso", disse Schell após encerrar a paralisação, a mais longa da história dos ferroviários no país. Schell confirmou que o sindicato decidirá na terça-feira como proceder, o que inclui uma greve por tempo indeterminado caso a Deutsche Bahn, que será privatizada pelo governo, não apresente uma nova oferta de negociação. O ministro dos Transportes alemão, Wolfgang Tiefensee, disse na sexta-feira que observa um "movimento" tanto no sindicato quanto na direção da empresa para voltar às negociações, e se mostrou confiante em que "ambas as partes se sentem (para dialogar), em vista dos prejuízos econômicos, sobretudo, no leste do país". O Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW) estima que os custos diários da greve no transporte ferroviário de mercadorias podem chegar em 50 milhões de euros (US$ 73 milhões). A mobilização provocou grandes engarrafamentos nos acessos às principais cidades do país, pois muitas pessoas optaram por utilizar carros para viajar ou ir ao trabalho, e algumas empresas usaram caminhões para transportar sua carga.

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