França envia equipe para tentar socorrer Betancourt na selva

A França enviou uma missão humanitária,incluindo um médico, para tentar um contato com a ex-candidatapresidencial colombiana Ingrid Betancourt, refém da guerrilhaFarc na selva da Colômbia, informou nesta quarta-feira oescritório da Presidência francesa. A operação está envolta em mistério e não há indicaçãosobre se as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)deram seu aval à missão nem se a equipe francesa já se encontrana região. As autoridades acreditam que Betancourt esteja muitodoente. "Uma missão humanitária, integrada pela Espanha, França eSuíça, os três países que tentam servir de mediadores, começoua operar, em cooperação com as autoridades relacionadas aocaso", informou o escritório do presidente francês, NicolasSarkozy, em um comunicado que não trazia mais detalhes. Sarkozy fez um apelo direto pela TV às Farc na terça-feira,pedindo que libertem Betancourt, por ela estar sob "risco demorte iminente", disse ele. Betancourt, de 46 anos, é mantida refém há seis anos. Elatem nacionalidade colombiana e francesa. Anteriormente, o ministro de Relações Exteriores da França,Bernard Kouchner, afirmou esperar que a missão pudessealcançá-la rapidamente. "Tudo o que pudemos humanamente fazer, foi feito. Agoratemos de esperar até que nossos enviados especiais, o médico,cheguem à área", disse Kouchner a repórteres, depois de umareunião de gabinete. "Temos uma grande expectativa em relação a isto." O comissário colombiano da paz, Luis Carlos Restrepo, dissea uma rádio local que o governo colombiano está atendendo a umasolicitação de Sarkozy para que suspenda as operações militarescontra as Farc. "O governo colombiano deu todas as garantias de segurançanecessárias", disse Restrepo. "Nós apenas temos de identificarcom precisão onde temos de suspender operações militares." ÚLTIMO APELO A imprensa francesa informou que um representante do ComitêInternacional da Cruz Vermelha (CICV) faz parte da missão e seespecula se a equipe conseguirá trazer Betancourt de volta. Ogoverno francês se recusou a dar mais detalhes. Barbara Hintermann, diretor do CICV na Colômbia, disse quea missão médica é uma iniciativa francesa que não envolverá aCruz Vermelha enquanto as Farc não pedirem sua participação. "Nós não tivemos contato com as Farc sobre estainiciativa", disse ela a repórteres, em Bogotá. O filho de Betancourt, Lorenzo Delloye Betancourt, disseque sua mãe está extremamente doente e fez um chamado às Farcpara que a libertem. "Ou vocês soltam minha mãe e outros reféns doentes ouvocês a enterrarão nas próximas horas", disse ele em umaentrevista coletiva, em Paris. "Este será meu último apelo. Nóschegamos ao fim." Segundo um porta-voz de um comitê de apoio, Betancourtteria começado uma greve de fome em 23 de fevereiro. Seu filhodisse que ela tem hepatite B e leishmaniose, o que significaque precisa imediatamente de uma transfusão de sangue. Tentativas de fechar um acordo para libertar os váriosreféns em poder das Farc, incluindo três norte-americanos, nãoforam adiante por causa do impasse sobre a exigência daguerrilha de que o governo da Colômbia desmilitarize uma áreano sul do país para garantir um local seguro para asnegociações.

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