França evita desabastecimento energético, mas não se livra de protestos

Risco de escassez de combustíveis em aeroportos está afastado, diz secretário

17 de outubro de 2010 | 11h49

Paris, 17 out (EFE).- O medo de o bloqueio das refinarias provocar o desabastecimento energético na França parece se afastar com as medidas adotadas pelo Governo, que enfrenta uma nova semana de protestos e interrupções contra o projeto de atrasar em dois anos a idade de aposentadoria.

 

O Executivo desfez um ponto crítico ao reabrir a provisão de combustível do maior aeroporto do país, o Charles de Gaulle, em que havia querosene apenas para poucos dias, o que colocava em risco boa parte do tráfego aéreo francês.

 

O secretário de Estado de Transportes, Dominique Bussereau, afirmou neste domingo que a provisão se restabeleceu e que o risco de escassez foi afastado de forma duradoura.

 

O restante dos aeroportos também não encontra problemas de abastecimento, e algo similar acontece com os postos de gasolina, depois do desbloqueio de depósitos de combustível e de ser restabelecido o transporte do produto por estradas, normalmente proibido em fins de semana, mas autorizado de forma excepcional.

 

O Governo encontrou uma trégua na pressão sindical, mas as centrais operárias anunciam que voltarão à carga a partir de amanhã se não for retificado o plano de atrasar a idade mínima de aposentadoria de 60 a 62 anos e de 65 a 67 para cobrar a previdência completa.

 

Dez das 12 refinarias do país estão paralisadas e as outras duas estão peto de parar, enquanto os sindicatos de ferroviários anunciam uma intensificação do movimento que pode multiplicar as perturbações no transporte por trem.

 

Se na semana passada a frente de protesto se viu reforçada com a incorporação de centenas de milhares de jovens convocados pelas organizações estudantis, a partir de hoje se espera que os caminhoneiros bloqueiem estradas em pontos estratégicos em um novo xeque ao Governo.

 

De forma oficial, foram contados 825 mil manifestantes na jornada de sábado, a menor convocação contra a reforma da previdência desde setembro, ao mesmo tempo em que os sindicatos foram acusados de inflar seus números de forma artificial para chegar à conclusão que 3 milhões de pessoas protestaram pelas ruas do país.

 

No Executivo, consideram que a próxima semana é fundamental porque notam certa desmobilização dos manifestantes e porque a aprovação da reforma avança no Senado, onde o texto deve ser votado na próxima quarta-feira.

 

Depois dessa votação, faltará um trâmite parlamentar para adotar definitivamente a reforma, mas o Governo considera que uma vez o texto esteja aprovado, os protestos se enfraqueçam ainda mais.

 

Os sindicatos também jogam com o calendário, pois sabem que não podem manter suas bases mobilizadas eternamente.

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