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França inicia realocação de 1,5 mil menores do acampamento de Calais

Jovens, em sua maioria com idades entre 13 e 17 anos, irão para abrigos espalhados pelo território francês e, em seguida, podem ser transferidos ao Reino Unido

O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2016 | 09h30

O governo da França iniciou nesta quarta-feira, 2, a realocação dos 1,5 mil menores que viviam no acampamento conhecido como a "selva" de Calais, localizada no norte da França. Os jovens serão levados para abrigos em outras cidades francesas enquanto as autoridades verificarão a possibilidade de enviá-los ao Reino Unido. 

O acampamento de Calais reunia entre 6,4 mil e 8,1 mil pessoas e foi dissolvido pelas autoridades francesas na última semana. Desde então, os menores desacompanhados estavam abrigados em contêineres de carga. Agora, eles devem ser levados em cerca de 30 ônibus para os mais de 400 centros provisórios de acolhimento espalhados pelo território francês. 

As autoridades estudarão o caso de cada jovem, já que muitos desejam ir ao Reino Unido para se encontrar com seus familiares. Caso eles tenham o direito de ir para o país, a polícia da França negociará com as autoridades britânicas as transferências.

Até o momento, 274 menores desacompanhados entraram legalmente no Reino Unido, de acordo com o governo francês.

A dissolução total do acampamento de Calais, cidade localizada a 300 quilômetros ao noroeste de Paris, é uma prioridade. A proximidade com a costa britância transformou a região em um polo de atração de imigrantes, que se instalaram em acampamentos improvisados ao longo dos anos. 

A maioria dos imigrantes é composta por afegãos, sudaneses e eritreus que abandonaram seus países para fugir da guerra e da extrema pobreza. Os menores descompanhados têm, em sua maioria, entre 13 e 17 anos.

O presidente da França, François Hollande, afirmou em entrevista ao jornal 'la Voix du Nord' que não vai permitir mais nenhum assentamento de imigrantes em Calais. 

Apesar da dissolução da "selva" da cidade, outros acampamentos, sobretudo em Paris, não param de crescer. A prefeita da cidade-luz, Anne Hidalgo, prevê abrir nas próximas semanas um centro de acolhimento provisório com capacidade para 400 pessoas. 

Mais de 300 mil imigrantes e refugiados cruzaram o Mar Mediterrâneo para chegar ao território europeu em 2016. Ao menos 3,8 mil morreram ou desapareceram durante a travessia, segundo os últimos dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A situação abriu uma crise diplomática entre França e Reino Unido. As tensões cresceram nos últimos dias após a ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, alertar que nenhum menor poderia ficar sem amparo em território francês. Em resposta, o governo francês respondeu que tinha cumprido com sua parte e pediu que Londres assumisse seus compromissos. /EFE e Reuters

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