França não acredita que Irã possa enriquecer urânio a 80%

Governo, porém, alertou que afirmação traz mais 'periculosidade' ao impasse sobre o programa nuclear iraniano

Agência Estado,

12 de fevereiro de 2010 | 09h31

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, afirmou nesta sexta-feira, 12, não acreditar na alegação do Irã segundo a qual o país é capaz de enriquecer urânio a altos níveis, referindo-se ao anúncio do governo iraniano de que pode enriquecer urânio até 80%.

 

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Kouchner disse que "os americanos não acreditam, tanto quanto nós, que o Irã seja atualmente capaz de enriquecer urânio a 80%". O chanceler francês advertiu, porém, que a afirmação do Irã traz mais um elemento de "periculosidade" à situação. Kouchner concedeu entrevista nesta sexta-feira à Rádio Europe 1.

 

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta semana que o Irã tem a capacidade "para enriquecer urânio em mais de 20% ou 80%". Segundo Ahmadinejad, porém, o país não tem a intenção de produzir uma arma nuclear. É necessário urânio enriquecido a 90% para fabricar uma bomba.

 

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Os países que negociam com o Irã - Rússia, EUA, França, China, Reino Unido e Alemanha - apoiaram a oferta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que a República Islâmica enviasse seu urânio ao exterior e o recebesse de volta já enriquecido e pronto para ser usado em um reator de pesquisas. O governo iraniano, porém, anunciou nessa semana que sua paciência com o grupo se esgotou e que o país já iniciou o enriquecimento de urânio a 20%, o que gerou desconfiança da comunidade internacional e aumentou as possibilidades de que novas sanções da ONU poderiam ser impostas.

 

O governo iraniano afirma que precisa manter um programa nuclear para fins pacíficos, como a produção de energia e isótopos médicos. O Ocidente, porém, teme que Teerã busque também secretamente armas nucleares. As informações são da Associated Press.

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