França proíbe orações nas ruas

Lei vale para todas as religiões, mas evidencia problemas para assimilar comunidade muçulmana

Reuters

16 Setembro 2011 | 14h53

Muçulmanos se reuniram em quartal de bombeiros abandonado para rezar

 

PARIS - Entrou em vigor nesta sexta-feira, 16, uma lei francesa que proíbe que se reze nas ruas. Assim, milhares de fieis muçulmanos no norte de Paris foram levados a improvisar um local de oração em um quartel de bombeiros desativado. A medida desagradou à minoria islâmica que habita o país.

A proibição das rezas nas ruas colocou em evidência os problemas da França para assimilar sua comunidade muçulmana, de 5 milhões de pessoas, que não tem espaço para rezar. E segue-se a uma polêmica já antiga, alimentada pela líder de extrema-direita Marine Le Pen, sobre os muçulmanos serem forçados a estenderem suas colchas nas ruas das grandes cidades.

O ministro do Interior francês, Claude Gueant, direcionou os muçulmanos em Paris a espaços provisórios enquanto se constrói um novo espaço gigante e advertiu que, caso necessário, será usada a força à medida que a polícia encerra sua tolerância com relação às orações nas ruas.

Sete meses antes da eleição presidencial, a proibição é considerada por algumas pessoas como uma tentativa de ganhar simpatizantes da extrema-direita para o campo da centro-direita do presidente Nicolas Sarkozy.

Na instalação improvisada, o xeque Mohammed Salah Hamza supervisionou as orações dos muçulmanos que foram de vários pontos da cidade. Os religiosos entravam, estiravam suas colchas no chão pelo espaço, semelhante a um hangar. "É o começo de uma solução," disse Hamza à Reuters antes de iniciar o serviço. "Os fieis estão muito satisfeitos de estar aqui. O local, que abriga 2 mil pessoas, está cheio."

Os fieis também estavam contentes. "Isso será melhor que a rua Mryha," disse um homem, referindo-se a uma rua de Paris conhecida por abrigar orações nas ruas. "Aparentemente, isso chocava as pessoas."

Le Pen descrevera o fenômeno de orar nas ruas e calçadas como uma "invasão." "Foi Marine Le Pen que começou tudo isso," disse uma mulher que disse se chamar Assya enquanto se dirigia para o espaço nas redondezas de Paris. "Agora o governo proibiu as orações nas ruas e nos enviou aqui para que possam angariar votos para o (partido da) Frente Nacional (de extrem-direita) - isso é tudo."

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