Hamed Jafarnejad/AP
Hamed Jafarnejad/AP

França quer que UE defina sanções ao Irã até fim de janeiro

Irã testou mísseis de longo alcance numa demonstração de força diante das ameaças ocidentais

REUTERS

03 de janeiro de 2012 | 09h08

PARIS - A França pediu nesta terça-feira, 3, aos seus parceiros da União Europeia que sigam o exemplo dos Estados Unidos, impondo ainda neste mês um embargo ao petróleo iraniano e o congelamento dos bens do Banco Central do país, por causa do programa nuclear da República Islâmica

O chanceler Alain Juppé disse que os ministros europeus de Relações Exteriores deveriam aproveitar sua reunião de 30 de janeiro para endurecer as sanções ao Irã, conforme o presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs no final de novembro.

"A França (...) quer sanções mais duras, e o presidente fez duas propostas concretas nessa frente - sendo a primeira a de congelar os bens do Banco Central iraniano, uma medida dura, e a segunda um embargo às exportações iranianas de petróleo", declarou Juppé ao canal francês de TV i>tele.

Os EUA já estão preparando a adoção de tais sanções, segundo ele. "Queremos que os europeus deem um passo similar até 30 de janeiro, para demonstrar nossa determinação", afirmou.

O Irã, que nega as acusações ocidentais de que está tentando desenvolver armas nucleares, disse na segunda-feira que testou dois mísseis de longo alcance, numa demonstração de força diante das ameaças ocidentais.

O anúncio foi feito no auge de dez dias de exercícios navais no Golfo Pérsico, durante os quais o Irã alertou que, em caso de sanções ao seu petróleo, poderia fechar o estreito de Ormuz, única entrada do golfo, por onde passa por navios 40 por cento do petróleo comercializado no mundo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, aprovou no sábado novas sanções unilaterais ao Irã.

"Elas serão sanções europeias e norte-americanas, já que temos a capacidade de agir nesse domínio", afirmou Juppé.

Se forem implementadas com rigor, as sanções podem tornar quase impossível a compra de petróleo iraniano pela maioria das refinarias. O Irã é o quarto maior produtor mundial de petróleo.

O Conselho de Segurança da ONU já impôs quatro rodadas de sanções globais ao Irã por causa da sua recusa em abandonar atividades nucleares estratégicas.

O governo iraniano por enquanto não demonstra a intenção de ceder, mas a imprensa local noticiou no sábado que o negociador nuclear Saeed Jalili escreveria para a chefe da política externa da UE propondo uma nova rodada de diálogo.

As negociações nucleares entre o Irã e seis grandes potências - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha - estão paralisadas. Paris, Londres e Washington decidiram intensificar sua pressão sobre Teerã depois de um relatório da AIEA (agência nuclear da ONU), no final de novembro, que apontava para a continuidade do programa de armas nucleares do Irã.

China e Rússia, que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, relutam em impor novas punições ao país, o que leva o Ocidente a agir por conta própria, fora do marco da ONU.

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