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Jean-Paul Pelissier/Reuters
Jean-Paul Pelissier/Reuters

França questiona se poderia ter contido atirador

Para críticos, autoridades poderiam ter tomado medidas intermediárias, como o uso de escutas telefônicas

Reuters, REUTERS

22 de março de 2012 | 19h46

PARIS - A França questionou na quinta-feira, 22, se o serviço de inteligência errou ao permitir que Mohamed Merah, 23, jovem muçulmano com antecedentes criminais, que havia sido visto duas vezes no Afeganistão, se tornasse o primeiro assassino a agir no país sob inspiração da al-Qaeda.

 

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Acostumada a enfrentar militantes islâmicos oriundos da Argélia, ex-colônia francesa, os serviços de inteligência da França são tradicionalmente vistos como um dos mais eficazes da Europa. O país passou 15 anos sem sofrer atentados terroristas.

Mas na quinta-feira o chanceler Alain Juppé admitiu que pode ter havido falhas da inteligência no caso de Merah, que nos últimos dez dias assassinou três militares, um rabino e três crianças judias, até ser morto em um cerco policial em Toulouse.

Políticos de oposição, inclusive a candidata presidencial direitista Marine Le Pen, questionaram como Merah pode ter cometido esses crimes se já estava sob vigilância e em novembro passado foi interrogado pela agência de inteligência domésticas DCRI.

"Se o DCRI estava seguindo Mohamed Merah há um ano, como pode que tenham levado tanto tempo para localizá-lo (depois do primeiro atentado)", questionou François Rebsman, porta-voz de segurança do Partido Socialista, no site JDD.fr.

Merah, cidadão francês de origem argelina, também conseguiu armazenar um arsenal com pelo menos oito pistolas sob os narizes do serviço de inteligência.

Em Washington, duas autoridades dos Estados Unidos disseram que Merah estava em uma lista de indivíduos proibidos de entrar em qualquer avião com destino ao território norte-americano.

Segundo Rebsamen, o nome de Merah apareceu no topo de uma lista de 20 suspeitos a serem observados pelo DCRI depois do atentado de 15 de março contra dois paraquedistas em Montauban, perto de Toulouse. Apesar disso, a agência parece ter perdido a pista dele, permitindo que agisse novamente.

Merah só seria identificado como sendo o atirador na terça-feira, um dia depois de matar um rabino e três alunos numa escola judaica. Mas o DCRI - uma "superagência" criada em 2008 pelo presidente Nicolas Sarkozy - já sabia desde 2010 da existência de Merah.

Havia a informação, por exemplo, de que ele havia visitado o Afeganistão naquele ano, quando teria sido barrado em um controle rodoviário da polícia afegã na província de Kandahar e devolvido à França por forças americanas.

Na segunda visita, no ano passado, ele voltou à França depois de contrair hepatite, segundo o promotor encarregado do caso.

Em novembro, ele foi entrevistado por agentes do DCRI em Toulouse, a quem disse que havia ido passar férias no Afeganistão - chegando inclusive a mostrar fotos, segundo o promotor François Molins.

Já durante o cerco policial, na quarta-feira, Merah disse aos negociadores que havia sido treinado em um acampamento da al-Qaeda numa região tribal do Paquistão, durante a segunda viagem.

 

O ministro do Interior, Claude Gueant, negou que o serviço de inteligência tenha cometido erros. "O DCRI segue muita gente envolvida com o islamismo radical. Expressar ideias, desposar de crenças salafistas, não é razão suficiente para prender alguém", afirmou.

Críticos dizem, porém, que as autoridades poderiam ter tomado medidas intermediárias. A lei antiterrorismo da França permite, por exemplo, escutas telefônicas de suspeitos por ordem do Poder Executivo.

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