França recomenda remoção de implantes mamários suspeitos

O governo francês recomendou na sexta-feira que dezenas de milhares de mulheres na França removam os implantes mamários feitos por um gel de silicone suspeito de uma empresa que exportou o produto mundo afora.

REUTERS

23 de dezembro de 2011 | 07h56

A ministra da Saúde francesa, Nora Berra, disse que o governo recomenda a retirada destes implantes como medida de precaução, depois das denúncias por índices de ruptura excepcionalmente altos, mas acrescentou que não há provas que concluem o possível vínculo entre o silicone de baixa qualidade e o câncer.

Os implantes de gel de silicone fabricados pela companhia chamada Poly Implant Prothese (PIP), que fechou as portas em 2010, geraram uma investigação na França sobre uma possível associação com o câncer.

Cerca de 300 mil implantes PIP, que são usados em cirurgia cosmética para aumentar o tamanho das mamas ou para substituir tecido mamário, foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado.

A ministra afirmou que a remoção na França seria paga pelo sistema público de saúde nos casos em que o implantes iniciais foram realizados por razões médicas.

Associações de mulheres, no entanto, pedem que todas as operações, incluindo os casos puramente cosméticos, sejam financiadas pelo governo.

Fundada em 1991, a Poly Implant Prothese tinha sede no sul da França e durante um período foi a terceira maior fabricante de implantes do mundo, produzindo cerca de 100 mil por ano.

Cerca de 80 por cento da produção era para exportação. As autoridades sanitárias ao redor do mundo dizem que analisarão com cautela na sexta-feira os resultados de um inquérito do Instituto Nacional do Câncer da França sobre uma possível associação dos implantes com casos de câncer.

A França registrou oito casos de câncer em mulheres com implantes mamários fabricados pela PIP, que é acusada de utilizar silicone de grau industrial, normalmente usado em computadores e utensílios de cozinha.

(Reportagem de Brian Love e Daniel Flynn)

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