França reforça segurança temendo novos confrontos

Cerca de 80 policiais ficam feridos após a segunda noite de confrontos entre manifestantes e a polícia

THIERRY CHIARELLO, REUTERS

27 de novembro de 2007 | 15h42

A polícia vai reforçar a segurança na periferia norte de Paris para evitar que haja tumultos pela terceira noite seguida, afirmou o primeiro-ministro francês, François Fillon, nesta terça-feira, 27, prometendo assumir uma postura linha-dura contra agitadores que investirem contra a polícia.   Veja também:  Novos confrontos em Paris deixam 77 policiais feridos   Cerca de 80 policiais ficaram feridos durante a noite nos choques, em que lançaram pedras, coquetéis molotov e rojões contra a polícia em Villiers e nas áreas próximas. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Cinco pessoas foram presas. "Vamos fazer de tudo para que esta noite haja uma presença máxima da segurança em Villiers-le-Bel e nas áreas vizinhas, porque os moradores não merecem passar por outra noite de violência", disse Fillon ao Parlamento. Para ele, os confrontos são "inaceitáveis, intoleráveis, incompreensíveis". "Quem atira na polícia e que espanca um policial quase até a morte é criminoso e tem de ser tratado como criminoso", disse Fillon.Cinco policiais ficaram gravemente feridos. Um deles foi atingido por um tiro, provavelmente disparado por um fuzil de caça. O presidente Nicolas Sarkozy vai se reunir com Fillon e com os ministros do Interior e da Justiça para discutir a crise quando chegar da China, na quarta-feira, disse o porta-voz presidencial. Ele vai visitar antes os policiais feridos. A violência começou no domingo, depois da morte de dois jovens numa colisão com um carro da polícia. As imagens dos carros incendiados, assim como de uma escola e de uma biblioteca em chamas, remeteram à onda de violência que assustou a França há dois anos. Aquele episódio foi a pior desordem civil na França em 40 anos, e muitos acusaram Sarkozy, que na época era ministro do Interior, de incentivar a violência com sua retórica repressiva, assim como Fillon faz atualmente.Desta vez, Sarkozy pediu calma, e a resposta amena do governo indica que ele quer evitar o recrudescimento das tensões com as periferias francesas, marcadas pela marginalização e pela diversidade étnica. Os manifestantes ignoraram os apelos da família das vítimas da batida, que pediram calma, e vandalizaram dezenas de lojas, empresas e prédios públicos nos confrontos com a polícia. As autoridades ainda estão investigando o acidente automobilístico que deflagrou a violência. O promotor local disse que foi um acidente de trânsito comum, mas alguns parentes das vítimas questionaram as ações da polícia depois da batida.   Segundo a BBC, os confrontos atuais também dão sinais de que começam a se espalhar para outras regiões na periferia da capital. A polícia informou que o grau de violência desses protestos é ainda maior do que em 2005, porque agora os manifestantes estão usando armas de fogo. Atos de vandalismo foram registrados em cinco cidades da região de Villiers-le-Bel e também em Essone, onde um ônibus e um caminhão foram queimados. 

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