França rompe bloqueio em três depósitos de combustíveis

Segundo o ministro do Interior, estações de Le Mans, Donge e La Rochelle foram desbloqueadas

Reuters

20 de outubro de 2010 | 05h36

Grevistas se reúnem em uma refinaria perto de Nantes depois de bloqueio ser rompido.

 

PARIS - O governo da França enviou policiais durante a madrugada para terminar com bloqueios nos três maiores depósitos de combustíveis que foram invadido por manifestantes, disse o ministro do Interior, Brice Hortefeux, nesta quarta-feira, 20.

 

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"Durante a noite, nós removemos o bloqueio dos maiores depósito de combustível, La Rochelle, Donge e Le Mans", disse o ministro. Segundo o ministro, com a remoção do bloqueio, será possível fazer a distribuição de milhões de litros de combustível.

 

Ordem presidencial

 

O desbloqueio foi ordenado pelo presidente Nicolas Sarkozy. O mandatário também disse que levará até o fim sua reforma do sistema previdenciário. Diante dos "problemas de abastecimento que afetaram parte dos postos de abastecimento, o presidente "determinou o desbloqueio dos depósitos de combustíveis para restabelecer o mais em breve possível a situação".

 

A justificativa de Sarkozy é que "a desordem provocada pelas interrupções causa inúmeras injustiças", em primeiro lugar com "a maioria dos franceses que querem ir ao trabalho e circular livremente" e porque poderia "ter consequência no emprego" ao perturbar a atividade econômica.

 

"Levarei a reforma da previdência porque meu dever como chefe do Estado é garantir aos franceses que eles e seus filhos poderão contar com aposentadoria", ressaltou Sarkozy em uma declaração semanal feita durante o Conselho de Ministros.

 

Protestos

 

Os protestos contra a reforma da previdência proposta por Sarkozy seguem nesta quarta-feira nas grandes cidades da França, como Paris e Lyon. Os manifestantes tentam impedir que o Senado aprove uma lei que aumentará a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos de idade, com o objetivo de prevenir um buraco no sistema previdenciário enquanto a expectativa de vida no país só aumenta e poucos jovens contribuem com o sistema de pensões.

 

A população, no entanto, acredita que a reforma é apenas um passo rumo a destruição do Estado de bem-estar social francês, reconhecido por conceder benefícios sociais generosos, como férias longas, contratos que dificultam a demissão de empregados e um sistema de saúde subsidiado pelo governo.

 

O presidente Nicolás Sarkozy já afirmou que a reforma é prioridade de seu governo. A medida, no entanto, pode custar caro ao governante: pesquisas indicam que Sarkozy, que assumiu o poder em 2007, atravessa seu momento de maior impopularidade.

 

O último estudo, publicado hoje pelo jornal Liberation, diz que 61% dos franceses desaprovam seu governo, e apenas 35% são favoráveis ao presidente.

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