França se defende na ONU das críticas pela deportação de ciganos

Embaixador repete discurso que expulsão ocorre dentro das leis francesas e europeias

Efe

13 de setembro de 2010 | 14h02

GENEBRA - O governo da França se defendeu nesta segunda-feira, 13, perante a Organização das Nações Unidas (ONU) das críticas por seu tratamento a ciganos da Romênia e Bulgária e pelas deportações em massa, assegurando que as medidas adotadas "estão estritamente inseridas no respeito às leis francesas e da legislação europeia".

 

Veja também:

linkONU se diz preocupada com direitos humanos na França, nos EUA e no México

 

"As autoridades francesas nunca estigmatizaram pessoas pertencentes a uma minoria em função de sua origem. Não há um 'problema cigano', mas cidadãos europeus mais desfavorecidos que outros, que têm dificuldades de inserção e que merecem atenção particular", afirmou o embaixador francês na ONU em Genebra, Jean-Baptiste Mattei.

 

O diplomata respondeu assim ao anterior discurso da alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, diante do Conselho. Ela disse que a atual política da França para o retorno dos ciganos, inclusive o desmonte de seus assentamentos e as deportações coletivas, "só tende a exacerbar o estigma dos ciganos e a pobreza extrema em que vivem".

 

O embaixador francês assegurou, no entanto, que "as medidas que foram adotadas estão estritamente inseridas no respeito às leis da República Francesa e da legislação europeia". "As instalações que foram desmontadas eram ilegais e seu desmantelamento foi feito sob a base de decisões adotadas com total independência pelo Poder Judiciário", insistiu.

 

Mattei afirmou ainda que, "a fim de responder ao estado de extrema precariedade econômica que caracteriza a maioria destas pessoas, entre elas cidadãos búlgaros e romenos que se declaram de origem cigana, foi proposto a cada um o benefício de uma ajuda de retorno humanitário, ou seja, uma ajuda para a reinstalação em seu país de origem".

 

O embaixador disse que as autoridades francesas estão convencidas da necessidade de realizar uma política para promover a integração social e econômica dos ciganos. "Nesse espírito, trabalhamos com os países de origem e outras nações da União Europeia".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.