França tem reserva de combustível para semanas, afirma ministério

'Há estoques; o governo confirma que não há escassez de abastecimento', disse a ministra de Finanças

Patricia Lara, da Agência Estado, e Dow jones,

16 de outubro de 2010 | 12h16

PARIS - A França tem reservas de combustíveis para várias semanas e não há desabastecimento, segundo informou a ministra de Finanças do país, Christine Lagarde, neste sábado, quando grupos intersindicais promovem mais uma jornada de mobilizações contra a reforma do sistema previdenciário. "Há estoques; o governo confirma que não há escassez de abastecimento", afirmou Lagarde, em entrevista à emissora de rádio RTL. A ministra disse que mesmo se os 230 reservatórios de petróleo da França deixassem de funcionar por falta de diesel e gasolina, eles representam apenas cerca de 2% dos 13 mil pontos de varejo do país.

 

O suprimento de produtos derivados de petróleo na França tem sido comprometido por greves de funcionários de portos e refinarias do país. Na mobilização, dez das doze refinarias da França deixaram de funcionar e as outras duas estavam gradualmente reduzindo a produção.

 

Na sexta-feira, o governo ordenou que forças policiais reabrissem alguns dos depósitos de produtos petrolíferos. A greve já provocou um corte no abastecimento aos principais aeroportos de Paris.

 

O Ministério dos Transportes informou que o aeroporto Charles de Gaulle, o mais importante do país, localizado na região de Roissy, tinha uma quantidade de combustível de aviação suficiente só até a segunda-feira à noite ou terça-feira. "Nós temos alternativas para encontrar uma solução para suprir o aeroporto. Estamos confiantes", disse um porta-voz do ministério que pediu para não ter sua identidade revelada. "O oleoduto que abastece o Charles de Gaulle e o Aeroporto de Orly está operando intermitentemente", disse.

 

Neste sábado, o Ministério do Interior informou que pelo menos 340 mil manifestantes foram às ruas das principais cidades da França até o horário de almoço, uma mobilização inferior ao dos quatro protestos anteriores contra a reforma da Previdência. Os sindicatos tentam ampliar a pressão sobre o governo para que volte atrás das medidas.

 

As medidas mais impopulares elevam de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 anos a idade em que o trabalhador pode se aposentar com direito a receber a plenitude dos benefícios a que teria direito.

Os trabalhadores do complexo portuário de Fos Lavera, no sul da França, completavam neste sábado 20 dias consecutivos em greve, em razão de propostas de reforma nos contratos de trabalho da categoria. As autoridades portuárias informaram que 63 cargueiros e três barcaças estavam bloqueadas pelos manifestantes, que protestam contra a reforma no porto. Entre as embarcações afetadas estavam cinco navios que transportam produtos químicos, oito com gás liquefeito natural, 15 embarcações com petróleo bruto e outras 13 com produtos derivados.

 

No porto de Marselha, no Mar Mediterrâneo, outros 13 navios petroleiros, cinco embarcações com produtos petrolíferos, dois com gás liquefeito e outros dois com químicos estavam bloqueados, segundo as autoridades.

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