França vai às urnas; crise deve tirar Sarkozy do poder

Os franceses votam neste domingo em uma eleição que pode fazer de Nicolas Sarkozy o 11o líder europeu a deixar o poder por conta da crise econômica e coroar Francois Hollande como o primeiro presidente socialista da França em quase duas décadas.

REUTERS

06 Maio 2012 | 10h16

Crítico ferrenho à incapacidade de Sarkozy de lidar com o desemprego rampante no mandato de cinco anos, Hollande estava entre quatro e oito pontos à frente nas últimas pesquisas de opinião.

Uma vitória por ampla margem neste domingo daria ao candidato socialista mais autoridade para acrescentar medidas voltadas para o crescimento aos esforços de austeridade da França e da Europa.

Ao votar na cidade de Tulle, na região central da França, onde foi prefeito por sete anos, Hollande cumprimentou os eleitores com apertos de mão e beijos. Muitos deles, o candidato conhece pessoalmente.

“"Será um longo dia. Não sei se será um lindo dia. Os franceses que decidirão", afirmou Hollande à Reuters, acrescentando que pouco dormiu à noite.

Sarkozy foi recebido por uma multidão quando chegou a uma escola de Paris para votar ao lado da esposa, a ex-modelo Carla Bruni. "Venceremos", gritavam os partidários enquanto o líder conservador cumprimentava a população.

“"Sarkozy e Hollande seriam administradores competentes da economia francesa, mas Sarkozy criou muita discórdia. Esse é o porquê de eu ter votado em Hollande", afirmou o fotógrafo Gilles Leimdorfer, em Paris.

Os centros de votação abriram às 8h locais (3h em Brasília) e fecharão às 18h locais (13h em Brasília), mas funcionarão por mais duas horas nas grandes cidades.

Números iniciais publicados pelo Ministério do Interior mostraram que 30,7 por cento dos eleitores já tinham votado até as 12h locais, apesar do tempo frio e chuvoso em grande parte da França. A taxa é maior do que os 28,3 por cento do mesmo horário na eleição do primeiro turno, em 22 de abril.

A lei proíbe políticos de fazerem comentários públicos no fim de semana eleitoral, mas Hollande disse a repórteres na sexta-feira que estava preocupado com a possibilidade de a vantagem dele sobre Sarkozy encolher.

Projeções confiáveis do resultado, baseadas em uma contagem parcial dos votos, serão publicadas assim que a última zona eleitoral fechar. O veículo de imprensa que publicar pesquisas de boca de urna ou resultados parciais antes desse horário pode ser multado e processado.

Sylvie, uma enfermeira de Paris e eleitora de Hollande, teme que o resultado deste domingo dê ao socialista uma vantagem menor do que as mostradas nas pesquisas de opinião. “O eleitorado sempre esteve dividido muito igualmente, então podemos chegar a um resultado próximo de 51 a 49 por cento", disse.

Apesar de Sarkozy ter diminuído a vantagem de Hollande em cerca de dois pontos percentuais nos últimos dias da campanha, os próprios assessores do atual presidente admitem entre si que apenas um milagre fará Sarkozy alcançar um segundo mandato.

“Eu diria que ele tem uma chance em seis", afirmou à Reuters uma pessoa próxima a Sarkozy pouco antes de a campanha terminar, na sexta-feira.

O economista Dominique Barbet, do banco BNP Paribas, afirmou que a incerteza sobre o resultado da eleição é extremamente baixa.

(Por John Irish e Geert De Clercq)

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