Funcionalismo público da França faz greve por melhores salários

Os funcionários públicos da Françarealizaram uma greve na quinta-feira para protestar contra ocorte de vagas e exigir melhores salários. A paralisação atingiu hospitais e escolas em um dia demobilização convocado por sindicatos que representam 5 milhõesde trabalhadores. A greve ocorre depois de uma paralisação semelhanterealizada em novembro e após uma outra onda de mobilizaçõesencabeçada por trabalhadores dos setores de energia e detransportes. A ação aumenta as pressões sobre o presidente da França,Nicolas Sarkozy, que enfrenta uma queda em seus índices depopularidade, uma crescente irritação da opinião pública devidoà exposição de sua vida particular e o ceticismo em relação apromessas feitas durante a campanha eleitoral sobre aumentar ossalários dos trabalhadores franceses. O Ministério do Orçamento e do Serviço Público afirmou que13,2 por cento dos funcionários públicos do setor civil,incluindo um terço dos professores do país, participaram daparalisação iniciada às 12h30 -- a taxa de adesão é menor doque a de 21 por cento registrada em 20 de novembro. Os sindicatos desejam um aumento salarial maior do que ainflação, de 2,8 por cento anual em dezembro, mas dizem que nãoconseguiram chegar a um acordo com o ministro francês doOrçamento e do Serviço Público, Eric Woerth, que divulgouplanos de cortar 22.900 vagas do funcionalismo público nesteano. "Neste momento, estamos em um impasse. Não identifico nasdeclarações do ministro uma mudança de postura", afirmouBernard Thibault, chefe do poderoso sindicato CGT, em umaentrevista concedida à rádio France Inter. "O dia de paralisação fará, segundo espero, com que elespercebam o quão insustentável é sua postura", disse. Cerca de apenas 8 por cento da força de trabalho da Françasão sindicalizados, mas as organizações trabalhistas possuemuma forte presença no funcionalismo público e em alguns outrossetores, conseguindo provocar uma situação caótica quandorealizam greves. Segundo uma pesquisa de opinião divulgada na quarta-feirapelo jornal de economia Les Echos, 57 por cento dosentrevistados afirmaram que o dia de paralisação justificava-se-- esse é um dos maiores índices de apoio a campanhas do tipodesde a vitória de Sarkozy nas eleições presidenciais de maio. Os índices de aprovação para o dirigente continuam altos,mas caíram para baixo do patamar de 50 por cento com quecontava logo após a vitória naquele pleito. O fato de os meios de comunicação darem bastante espaço aoromance de Sarkozy com a ex-modelo Carla Bruni e as notíciassobre as luxuosas férias do líder francês prejudicaram a imagemdele.

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