Fundador do WikiLeaks pede à Grã-Bretanha que barre extradição

Advogados de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, pediram na terça-feira pela segunda vez que a Justiça britânica arquive o processo de extradição dele para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais.

STEFANO AMBROGI, REUTERS

12 de julho de 2011 | 17h02

O australiano de 40 anos foi à Alta Corte de Londres para uma audiência de dois dias, depois de ser derrotado num primeiro recurso contra a extradição, em fevereiro.

Sua defesa argumenta que ele ainda não foi formalmente acusado de nada na Suécia, e que o mandato de prisão europeu expedido contra ele é inválido por não apresentar uma descrição "justa, precisa e adequada" dos supostos crimes cometidos.

Assange, que irritou os EUA no ano passado com a divulgação de milhares de documentos diplomáticos secretos, é acusado de cometer assédio sexual e estupro contra duas ex-voluntárias do WikiLeaks, em agosto de 2010. Ele nega e afirma estar sendo alvo de uma perseguição política.

Seu advogado Ben Emmerson disse não contestar o fato de que as duas acusadoras consideraram "o comportamento sexual (de Assange) nesses encontros como desonrosos, descorteses, perturbadores e até chegando aos limites do confortável para elas."

Mas reiterou que os contatos sexuais travados ocorreram com consentimento das mulheres, e que, ao contrário do que acontece na Suécia, isso pela lei inglesa não pode ser criminalizado.

Vestindo um terno azul escuro, Assange sentou-se em silêncio no tribunal, trocando anotações com advogados e assessores. Ele foi posto em liberdade condicional em dezembro, e aguarda a tramitação do processo de extradição em uma mansão rural de um simpatizante.

Em frente ao tribunal, um pequeno grupo erguia cartazes com os dizeres: "Liberte Assange."

Mesmo que a Alta Corte mantenha o pedido de extradição, Assange ainda poderá recorrer à Suprema Corte britânica, mas só se conseguir argumentar que há um interesse público geral em contestar determinado ponto da lei.

Assange substituiu sua equipe de defesa, porque os advogados anteriores, sob comando do célebre Mark Stephens, foram considerados agressivos demais.

A defesa agora é chefiada por Gareth Peirce, especialista em questões de direitos humanos, que tem entre seus clientes do passado militantes presos pelos EUA na base de Guantánamo e os chamados "Quatro de Guildford", cidadãos irlandeses que passaram anos presos por suposta ligação com o grupo IRA, até que a pena fosse anulada.

Antes da audiência, ela disse à mídia que seria "altamente excepcional" que a Alta Corte emitisse sua decisão no mesmo dia, e que o normal seria uma sentença por escrito.

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