Funeral de Thatcher atrai multidão pelas ruas de Londres

Carregado nos ombros de oito militares, o caixão com o corpo da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher subiu na quarta-feira a escadaria da principal catedral de Londres para uma cerimônia fúnebre com a presença da rainha Elizabeth 2ª e de dignitários estrangeiros.

MARIA GOLOVNINA E COSTAS PITAS, Reuters

17 de abril de 2013 | 09h03

Assim como em vida, a "Dama de Ferro" continua dividindo opiniões. Enquanto milhares de pessoas foram às ruas homenageá-las, cerca de duas dúzias de oponentes deram as costas ostensivamente ao cortejo, que saiu do palácio de Westminster, centro do poder britânico, e rumou para a catedral de St. Paul. Alguns manifestantes chamaram Thatcher de "escória".

As pesquisas mostram que muitos britânicos estão insatisfeitos com o gasto público com o funeral, estimado em 10 milhões de libras (15 milhões de dólares), e alguns parlamentares de esquerda disseram que tanta pompa é inapropriada.

A conservadora Thatcher, que governou a Grã-Bretanha entre 1979 e 1990, morreu em 8 de abril, vítima de um derrame, aos 87 anos.

O caixão fez o trajeto da quarta-feira sobre uma carruagem militar e coberto pela bandeira britânica. Um canhão fez disparos a cada minuto na Torre de Londres, e o sino do Big Ben calou-se, enquanto uma banda militar tocava Beethoven, Mendelssohn e Chopin para acompanhar o mais grandioso funeral de um político britânico desde Winston Churchill, em 1965.

"Ela foi a primeira mulher primeira-ministra, ela ocupou o cargo por mais tempo do que qualquer um em 150 anos, ela alcançou coisas extraordinárias na sua vida", disse o primeiro-ministro David Cameron, líder do Partido Conservador, o mesmo de Thatcher.

"O que está acontecendo hoje é absolutamente adequado e correto", acrescentou.

Nas ruas, havia policiais separados por espaços de 5 a 10 metros. Desde o começo da manhã, o público começou a se concentrar no trajeto, levando cartazes que refletiam o caráter polêmico da falecida.

"Você deu esperança, liberdade e ambição a milhões de nós", dizia um cartaz segurado por um homem. A poucos metros dali, outro dizia: "Mais de 10 milhões de libras do nosso dinheiro para um funeral do Tory (o Partido Conservador)".

Seus admiradores, que são muitos entre os seguidores do Partido Conservador e no sul da Inglaterra, argumentam que ela merece um funeral equivalente ao de Churchill, líder do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial.

"Algumas pessoas dizem que ela dividiu o país: mas, se ela causou tanta divisão, como ganhou três eleições?", disse Joseph Afrane, 49 anos, agente de segurança na zona sul de Londres. Ele foi assistir ao cortejo coberto pela bandeira britânica da cabeça aos pés -- incluindo o relógio de pulso e o chapéu de caubói.

Dentro da catedral, mais de 2.300 pessoas acompanham a cerimônia fúnebre, incluindo 11 primeiros-ministros atuais, todos os ministros britânicos, dois chefes de Estado e 17 ministros estrangeiros de Relações Exteriores.

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