Funeral de Thatcher se torna tão polêmico quanto própria 'Dama de Ferro'

Os planos para o funeral de Margaret Thatcher se transformaram uma dor de cabeça de segurança e motivo de debate nacional na Grã-Bretanha, nesta quarta-feira, numa repetição após a morte da ex-primeira-ministra das divisões provocadas por ela em vida.

ESTELLE SHIRBON, Reuters

10 de abril de 2013 | 14h30

Festas em várias cidades para comemorar a morte da política conservadora, na segunda-feira, terminaram em prisões, e jornais relataram que a polícia pode prender preventivamente encrenqueiros conhecidos antes de eles viajarem para o funeral dela, na próxima semana.

Com o codinome "Operação True Blue", o funeral cerimonial com honras militares na quarta-feira começará com uma procissão pelo centro de Londres até uma missa na Catedral de St. Paul.

Em uma quebra de protocolo destacando a estatura excepcional de Thatcher, a rainha Elizabeth e seu marido, o príncipe Philip, estarão presentes. A última vez que a monarca compareceu ao funeral de um primeiro-ministro foi quando Winston Churchill morreu, em 1965.

Mas muitas pessoas contrárias à ideologia de livre mercado de Thatcher afirmam que ela era uma figura muito divisória para ter um funeral normalmente reservado à realeza, como o da princesa Diana ou da rainha-mãe.

"Vamos privatizar seu funeral. Colocá-lo em leilão competitivo e aceitar o lance mais barato. É o que ela queria", disse o cineasta Ken Loach, cujos filmes denunciam o impacto das políticas de Thatcher em comunidades da classe trabalhadora.

Manifestantes lançaram uma petição online em um site do governo pedindo por um funeral privatizado como "uma maneira ideal para cortar gastos do governo e ainda provar os méritos da economia liberalizada liderada pela baronesa Thatcher". A petição tinha 34.000 assinaturas até ser encerrada, sem explicações, na manhã desta quarta-feira.

"A BRUXA ESTÁ MORTA"

O Daily Telegraph, um jornal de direita que teve uma das coberturas mais reverenciais a Thatcher, disse que desabilitaria os comentários online nas reportagens sobre Thatcher devido ao "abuso de palavrões".

A Official Charts Company disse que a canção "Ding Dong! The Witch is Dead", do filme de 1939 "O Mágico de Oz", subiu para o número 10 na parada de singles, como resultado de uma campanha de adversários de Thatcher para tentar colocá-la em primeiro lugar.

Estas reações à morte da primeira-ministra, que governou de 1979-1990, foram condenadas pelos conservadores, bem como por algumas figuras do Partido Trabalhista, de oposição, como o ex-primeiro-ministro Tony Blair.

Retornando do recesso de Páscoa, o Parlamento realizaria um debate de sete horas e meia sobre o legado de Thatcher nesta quarta-feira.

O primeiro-ministro David Cameron, líder do Partido Conservador, fará uma homenagem, mas os legisladores trabalhistas devem criticar o histórico dela de reprimir sindicatos, privatização de indústria e desregulamentação dos serviços financeiros.

Desde a morte da ex-premiê, de 87 anos, após um derrame, as reações foram aos dois extremos.

Em Brixton, uma área ao sul de Londres que sofreu enormes distúrbios durante a era Thatcher, em 1981, manifestantes escalaram um cinema e substituíram títulos de filmes pela frase "Margaret Thatcher morreu HAHAHA".

Distúrbios também ocorreram em Liverpool e Glasgow, duas cidades devastadas pelo desmantelamento de indústrias estatais por Thatcher.

Os jornais The Independent e The Evening Standard informaram que a polícia pode preventivamente prender encrenqueiros. Mas a polícia não quis comentar, dizendo que usaria "uma série de táticas adequadas".

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