Garçom diz que chá de ex-espião foi envenenado

Também afetado pela radiação, barman lembra que um spray foi espirrado na bebida de Litvinenko

AP e Reuters,

16 Julho 2007 | 09h48

O assassino do o ex-espião russo Alexander Litvinenko usou um spray para jogar veneno em seu chá. A informação foi dada pelo garçom que teria servido Litvinenko.   Veja Também: » Reino Unido decide expulsar quatro diplomatas russos   Em entrevista publicada no sábado, 14, pelo jornal britânico Sunday Telegraph, o barman Norberto Andrade contou que foi deliberadamente distraído por alguém, no momento em que levava drinques para a mesa do ex-espião. Ele acredita que foi nessa hora que o assassino colocou a substância radioativa polônio-210 na bebida de Litvinenko, que morreu em novembro de 2006.   Foram encontrados traços do veneno na cadeira de Litvinenko e no quadro que estava acima dele - corroborando a tese do uso de spray.   Norberto contou que percebeu que havia algo errado quando ele jogou o chá restante na pia. "Estava mais espesso que o normal e com uma cor estranha", disse. O barman também teria sido afetado pelo polônio.   Litvinenko, ex-espião do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB), morreu em 23 de novembro de 2006, após adoecer cerca de um mês antes, em 1º de novembro, dia em que se encontrou com o também ex-espião Andrei Lugovoi e com outro cidadão russo, Dmitry Kovtun, no hotel Millennium da capital britânica.   Litvinenko vivia com a família em Londres e tinha recebido a nacionalidade britânica após se refugiar há alguns anos no Reino Unido. Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko disse que o Kremlin estaria por trás de seu assassinato, pelo fato de o ex-agente ter acusado os serviços secretos russos de causar uma série de explosões em um edifício de Moscou, em 1999, para ajudar Vladimir Putin a chegar à Presidência.   Crise diplomática   O caso tem afastado cada vez mais a Rússia e o reino Unido, que alternam exigências de extradições de envolvidos com o caso. Caso o atrito aumente, a crise poderá levar à expulsão de diversos diplomatas em Londres e represálias na mesma proporção por parte de Moscou.   O ministério britânico das Relações Exteriores e o gabinete do primeiro ministro, em Downing Street, pretendem enviar um sinal rigoroso para o Kremlin, que recusou-se a extraditar Andrei Lugovoi, ex-agente da KGB suspeito de assassinar Alexander Litvinenko em novembro passado.   Na segunda-feira, 9, a promotoria russa anunciou oficialmente que Lugovoi não será enviado para Londres, alegando que a Constituição da Rússia proíbe a sua extradição. Na noite de quarta-feira, 11, o governo britânico estava analisando a adoção de medidas de retaliação, para mostrar seu extremo desagrado com a decisão do Kremlin e a seriedade com que o Reino Unido vem tratando o "terrível" assassinato de Litvinenko - um cidadão britânico e crítico feroz do presidente Vladimir Putin.   Uma das medidas seria a expulsão de diplomatas russos da embaixada em Londres e a suspensão da cooperação mantida com a Rússia em diversas áreas, como educação, comércio, assuntos sociais e contraterrorismo.   Autoridades do ministério britânico já se preparam para as represálias violentas e imediatas de Moscou, que podem incluir uma similar expulsão de diplomatas do Reino Unido. O presidente Putin, mostrando sua cólera, qualificou o pedido de extradição de Lugovoi de "estupidez".   Desde maio, quando a promotoria britânica acusou Lugovoi de assassinato, o Kremlin tem encorajado a mídia russa a culpar o oligarca russo Boris Berezovski e o MI6 (serviço secreto britânico) pelo assassinato do ex-agente soviético. Os canais de televisão também exibiram longas entrevistas com um russo que afirmou que o MI6 tentou contratá-lo e que Litvinenko se envenenou.   Numa coletiva de imprensa surreal em Moscou, Lugovoi declarou que os responsáveis pelo assassinato eram Tony Blair, Berezovski e a máfia georgiana. Em Downing Street, as autoridades acham que, se quisesse, o Kremlin poderia extraditar Lugovoi.   O Reino Unido quer que Moscou pelo menos deixe claro que lamenta a morte de Litvinenko e garanta que isso não deverá acontecer novamente. Mas não houve nenhum sinal nesse sentido por parte de Moscou.

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