Garzón pede exumação de 8 corpos do mausoléu de Franco

Juiz espanhol que pediu prisão de Pinochet investiga mortos do regime da ditadura espanhola

Agências internacionais,

06 de novembro de 2008 | 10h05

O juiz Baltasar Garzón autorizou a exumação dos corpos de oito republicanos, sete homens e uma mulher, enterrados sem autorização dos familiares no monumento que o ditador Francisco Franco levantou para comemorar sua vitória, segundo afirma a edição do jornal espanhol El País nesta quinta-feira, 6. Estima-se que 500 mil pessoas morreram durante Guerra Civil espanhola, deflagrada em julho de 1936, depois que um golpe militar apoiado pela direita derrubou o presidente Manuel Azaña, um esquerdista empossado dois meses antes. Ambos os lados cometeram atrocidades contra civis, mas Franco continuou perseguindo adversários após o fim do conflito. Segundo Garzón, detenção ilegal, execuções e sepultamentos em valas comuns para ocultar cadáveres encaixam-se na categoria de crimes contra a humanidade, que não prescrevem nem podem ser anistiados - apesar da lei de 1977, que garantiu anistia para as atrocidades cometidas durante a guerra.  Conhecido na Espanha como "superjuiz", Garzón ganhou fama internacional em 1998 ao emitir uma ordem de prisão contra o ex-ditador do Chile Augusto Pinochet pela morte e tortura de cidadãos espanhóis. Em 2003, indiciou o terrorista saudita Osama bin Laden. Em ambos os casos, ele usou o princípio da universalidade da justiça, previsto na legislação espanhola.  "Vamos recuperar o corpo de meu pai, meu tio e outros seis fuzilados. Estou muito contente. Pouco a pouco, nossos desejos serão cumpridos", afirmou ao jornal Fausto Canales, de 74 anos, filho de Valérico Canales e sobrinho de Fidel, dois das oito vítimas enterradas no local. Recuperar os restos mortais do Vale dos Caídos, um mausoléu construído por 50 mil presos políticos, onde está o túmulo do general Francisco Franco. A região em que estão os túmulos são seladas com mármore e não são acessíveis. As oito vítimas que Garzón exigiu a exumação foram fuziladas em 20 de agosto de 1936 no povoado de Aldeaseca e desenterrados do local 23 anos depois, quando foram levados para o monumento. Os republicanos foram sepultados no local, segundo afirma o jornal, porque muitas viúvas de soldados franquistas não autorizam que os restos mortais de seus maridos fossem depositados no mausoléu de Franco. O regímen precisava de corpos para preencher a enorme cripta, cuja construção levou 20 anos. A direita espanhola também é contrária ao esforço de investigar os crimes do franquismo e, no ano passado, votou contra uma lei que previa um pedido de desculpas simbólico a vítimas civis. "Sou a favor de não reabrir feridas do passado, que não levam a lugar nenhum", disse no mês passado Mariano Rajoy, líder do Partido Popular.

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