Gêmeos belgas surdos têm morte assistida após perderem visão

Dois gêmeos belgas idênticos, que nasceram surdos e recentemente perderam a visão, tiveram ajuda para morrer conforme desejavam num caso que testa os limites da eutanásia legalizada.

Reuters

14 de janeiro de 2013 | 20h15

Médicos administraram injeções letais nos dois irmãos de 45 anos, que antes disso tomaram café juntos e se despediram um do outro, disse nesta segunda-feira um porta-voz do hospital UZ, de Bruxelas.

"Não é simplesmente porque eles eram surdos e cegos que tiveram o direito à eutanásia. É que eles não conseguiam mais suportar o fato de não poderem escutar ou ver o outro", afirmou. "Os irmãos eram inseparáveis. Eles viviam juntos e tinham o mesmo emprego."

A Bélgica é um dos poucos países do mundo onde a eutanásia é legal. O paciente precisa ser adulto, capaz de tomar decisões, e o desejo de morrer deve ser voluntário, forte e reiterado. Além disso, é preciso que o paciente sofra de alguma dor física ou mental insuportável para a qual não haja solução médica.

O porta-voz disse que os irmãos morreram em 14 de dezembro e que a família acatou seu desejo.

O número de casos de eutanásia na Bélgica cresce a cada ano desde a legalização, em 2002. Em 2011, foram 1.133 pacientes mortos com auxílio médico, sendo 86 por cento com pelo menos 60 anos de idade e 72 por cento, portadores de câncer.

(Reportagem de Philip Blenkinsop)

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