Geórgia aceita antecipar eleições em tentativa de superar crise

Presidente atende pedido da oposição e anuncia pleito para janeiro; capital amanheceu tomada por militares

Agências internacionais,

08 de novembro de 2007 | 15h03

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, anunciou nesta quinta-feira, 8, que pretende antecipar a realização das eleições presidenciais para 5 de janeiro de 2008. Em discurso na televisão pública, ele se comprometeu a suspender em breve o estado de exceção que decretou na quarta-feira em todo o país por conta dos protestos da oposição.   Veja também: Geórgia amanhece ocupada por forças de segurança   Coincidindo com o pleito, o presidente georgiano antecipou que será realizado um plebiscito sobre se as eleições parlamentares serão convocadas no fim do ano, como pede a oposição, ou em 2009.   "Como não sou democrata, se reduzo o período do meu mandato?", afirmou Saakashvili, que foi eleito no início de 2004 para um período de cinco anos, após explicar que sua decisão de antecipar as eleições se deve ao desejo de "renovar o mandato de confiança do povo".   O Parlamento introduziu recentemente uma emenda à Constituição para que as eleições parlamentares e as presidenciais coincidissem, o que foi mal recebido pela oposição por considerá-la "ilegal".   Quanto ao estado de exceção, Saakashvili afirmou que o suspenderá "nos próximos dias". Ele justificou a adoção da medida extraordinária como "uma resposta dura, mas a única adequada às tentativas de destruir a ordem constitucional". "Defendemos o estado e a democracia. Há documentos que confirmam o envolvimento de forças estrangeiras nestes eventos", afirmou Saakashvili.   O presidente georgiano anunciou na quarta a expulsão de três diplomatas russos por manter contatos com a oposição e acusou aos serviços secretos russos de estarem por trás dos protestos dos últimos dias em Tbilisi. A Rússia respondeu nesta quinta, declarando como 'persona non grata' três diplomatas georgianos credenciados em Moscou, que terão que deixar território russo nos próximos dias.   Capital ocupada   Soldados isolaram nesta quinta-feira a região central de Tbilisi, depois que o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, declarou um estado de emergência e o fechamento da imprensa independente para combater seis dias de protestos antigoverno. As escolas e universidades foram fechadas até a próxima semana e os protestos, restritos.   Líderes da oposição disseram que suspenderam os protestos para evitar mais feridos. Mais de 550 manifestantes passaram por hospitais na quarta-feira, depois que o governo mobilizou esquadrões antichoque para lidar com eles, usando gás lacrimogêneo e balas de borracha.   Saakashvili enfrenta sua pior crise desde que subiu ao poder em uma revolução pacífica, em 2003. Aliado próximo dos Estados Unidos, ele tentou apresentar seu país, um ex-Estado soviético, como um bastião da democracia e estabilidade na volátil região do Cáucaso - imagem agora abalada.   Desde a última sexta-feira, vêm ocorrendo os maiores protestos populares na Geórgia desde 2003, quando a "Revolução Rosa" levou Saakashvili ao poder. Manifestantes dizem que ele não está fazendo o suficiente para combater a corrupção e a pobreza e pedem para que ele renuncie e convoque novas eleições.

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