Geórgia aceita versão modificada do plano de cessar-fogo

Mudanças no acordo proposto pela UE teriam sido aprovadas por Medvedev, que mais cedo aceitou a trégua

Agências internacionais,

12 de agosto de 2008 | 19h56

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o líder georgiano, Mikheil Saakashvili, anunciaram nesta terça-feira, 12, que chegaram a um acordo sobre uma versão modificada do cessar-fogo com a Rússia, proposto pela União Européia (UE) para a ofensiva militar na província dissidente de Ossétia do Sul. As mudanças teriam sido aprovadas pelo presidente russo Dmitry Medvedev, que mais cedo aceitou uma trégua para o conflito, declararam os presidentes.   Veja também: Georgianos protestam contra ofensiva russa  Refugiados chegam a 100 mil, diz ONU Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   "De maneira geral, aprovamos seis pontos para o cessar-fogo", afirmou Sarkozy, que ocupa a presidência temporária da UE, em uma coletiva de imprensa com Saakashvili. O líder francês destacou que manteve "longas conversas sobre as condições do cessar-fogo", e que durante as negociações se comunicou com Medvedev.   O líder georgiano disse que o documento reconhece a soberania da Geórgia. Ele sugeriu que alguns detalhes acertados pela Rússia seriam inaceitáveis e tiveram que ser revistos. "Nossa integridade territorial e permanência na Ossétia do Sul e Abkházia não podem ser comprometidas", acrescentou. Para ele, o acordo não precisa ser assinado porque é "apenas um documento político."   Sarkozy adiantou que Geórgia e Rússia devem "iniciar a partir de amanhã o cumprimento dos princípios acordados". Ele explicou que o plano conta com o respaldo da UE e dos Estados Unidos, e deve ser apresentado em breve aos ministros da UE em Bruxelas. "Precisamos de detalhes legais e resoluções do Conselho de Segurança". O chefe de Estado francês pediu ainda mais observadores internacionais na região dos conflitos.   O acordo acertado mais cedo entre os líderes da França e Rússia estipula a renúncia ao uso da força, o fim de todas as ações militares, o livre acesso à ajuda humanitária e o retorno das Forças Armadas da Geórgia a seu lugar habitual.   Além disso, segundo o documento as tropas russas serão retiradas à linha que existia antes do início do conflito, e será iniciado um debate internacional para decidir o futuro status das separatistas Abkházia e Ossétia do Sul.   Punição americana   Os Estados Unidos e seus aliados avaliam, como punição aos ataques contra a Geórgia, bloquear a entrada da Rússia em entidades como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e excluí-la do G8, integrado por aqueles que são considerados os sete países mais desenvolvidos do mundo (EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão).   Um funcionário do alto escalão americano disse à imprensa que todos os esforços de Medvedev para colocar a Rússia na OMC e na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) podem ficar suspensos devido à ofensiva militar contra a Geórgia.   Um primeiro exemplo dessa medida de pressão foi dado nesta terça-feira, quando os EUA decidiram boicotar uma reunião de emergência dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com a Rússia, e anunciaram que a Aliança Atlântica deveria revisar sua relação com Moscou.   Segundo uma fonte do Pentágono, outra medida que está sendo analisada é o possível cancelamento da participação dos EUA em um exercício militar naval da Otan com a Rússia, previsto para sexta-feira no Oceano Pacífico. A suspensão do treinamento militar seria o primeiro passo de Washington para demonstrar à Rússia que discorda de suas ações bélicas.   Nesta terça-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que interrompeu suas férias e voltou para Washington nesta segunda, disse que conversou pelo segundo dia seguido com seus colegas do G7. Em pauta, segundo fontes diplomáticas, esteve a dissolução total do G8.   A ação militar russa contra a Geórgia começou na sexta-feira, quando Moscou iniciou uma operação de apoio à Ossétia do Sul, que estava sendo atacada pelas forças georgianas.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaGeórgiaOssétia do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.