Geórgia anuncia cessar-fogo na Ossétia do Sul

País já havia retirado todas as tropas da região; medida era exigência da Rússia para negociar paz na região

Agências Internacionais

10 de agosto de 2008 | 11h38

O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir deste domingo, 10, das operações militares na Ossétia do Sul. O ministério de Assuntos Exteriores da Rússia, que inicialmente negou a entrega da nota georgiana sobre o cessar-fogo, admitiu ter recebido o documento, mas não confirmou o fim dos ataques. "A nota existe, mas a parte georgiana não interrompeu o combate e suas tropas continuam disparando", declarou o porta-voz à agência de notícias russa Interfax.  Veja também:ONU pede corredor humanitário para os civis da Ossétia do SulOtan diz que Rússia violou integridade territorial na GeórgiaGeórgia anuncia retirada de tropas da capital da Ossétia do SulEntenda o conflito separatista na Geórgia Assista ao vídeo no Youtube  Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito  A Geórgia disse que suas tropas pararam de disparar seguindo as ordens do presidente Mijail Saakashvili. O ministério disse que estava pronto para começar as negociações imediatamente com a Rússia sobre o fim das hostilidades.  Em três dias de combates entre tropas da Georgia e forças russas já morreram cerca de 2 mil pessoas, segundo informações do Ministério do Exterior da Rússia à CNN, dizendo que muitas das vítimas são cidadãos russos da Ossétia do Sul. Moscou atacou a Geórgia em retaliação à ofenciva militar que Tbilisi lançou na madrugada de sexta-feira para retomar o controle da região - que, assim como a também separatista Abkházia, conquistou sua independência de fato nos anos 90. Tiblisi, porém, nunca reconheceu a perda desses territórios. Mais dos 70 mil ossédios têm cidadania russa e querem que a província se junte à Ossétia do Norte, que desde o fim da União Soviética faz parte da Rússia. Sobre a saída das tropas georgianas, Aleksander Lomaya, secretário do Conselho Nacional de Segurança georgiano, disse em discurso pela rádio e televisão nacionais que "nós nos reagrupamos e ocupamos posições nos acessos de Tskinvali, tendo visto o aumento da agressão por parte da Rússia". Um avião russo voltou a bombardear Tbilisi, capital da Geórgia, neste domingo. O alvo foi o mesmo complexo aéreo militar que já havia sido bombardeado nesta manhã, de acordo coma autoridades da Geórgia. As bombas caíram perto de um hangar no aeroporto do complexo, que fica próximo ao Aeroporto Internacional de Tbilisi, sem provocar danos expressivos.  A Interfax informou, entretanto, que as bombas atingiram uma indústria de fabricação de aviões militares.  "Durante a noite, a Rússia transferiu para a Ossétia do Sul dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", disse. E nquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital. Um tenente georgiano ferido em Tskhinvali disse à Agência Efe que "não resta nada em que se apoiar" na cidade para fazer frente aos tanques russos.  Segundo o comando das forças separatistas da Ossétia do Sul, durante o combate noturno, que durou quase cinco horas, foram destruídos 12 carros de combate georgianos e um de seus aviões foi derrubado. Também reconheceu a "destruição quase total de Tskinvali", embora tenha responsabilizado a artilharia georgiana por isso. Os combates na Ossétia do Sul contam com a participação das forças do Exército russo, destacado no Cáucaso Norte e treinado para combater em regiões montanhosas, assim como a elite dos pára-quedistas russos. Durante a noite, o subchefe do 58.º destacamento do Exército russo, general Anatoli Khruliov, ficou ferido e teve de ser retirado de helicóptero durante um bombardeio georgiano da coluna motorizada russa na qual viajava.  Ao longo do dia, e mesmo com as pressões internacionais, continuaram os bombardeios russos em todo o território da Geórgia, desta vez incluindo a capital, Tbilisi, onde a pista de decolagem da fábrica de aviões foi atacada. Segundo o comando russo, sua aviação só ataca alvos militares, entre os quais figuram também os "lugares de concentração de reservistas", normalmente localizados no centro dos povoados. As bombas também caíram sobre o porto de Poti e regiões do distrito de Zugdidi, que faz fronteira com a Abkházia.Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região. Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos. Bloqueio naval  A frota russa do Mar Negro - que fechou a passagem para a costa da Abkházia a vários navios georgianos e ameaça impor bloqueio naval - também se somou hoje às operações contra a Geórgia. A Ucrânia, em cujo porto de Sebastopol a frota russa tem sua base, causou uma desagradável surpresa ao advertir que qualquer embarcação que participar do conflito será proibida de voltar. Diante dessa situação e após um pedido da Geórgia, o Conselho de Segurança da ONU tentará hoje novamente, pela quarta vez em três dias, chegar a um acordo sobre o conflito na região. "A situação muda a cada minuto, por isso, decidimos propor novas consultas", disseram à Agência Efe fontes diplomáticas georgianas, depois que o principal órgão das Nações Unidas reconheceu no sábadoà noite que é incapaz de pedir conjuntamente o cessar-fogo. Atualizada às 11h53, e às 12h40 com novas informações

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