Geórgia desmente a anunciada retirada de tropas russas

O porta-voz georgiano chamou de "falsas" as afirmações e denunciou que as tropas continuam em Senaki

EFE

23 de agosto de 2008 | 03h18

O Governo georgiano desmentiu neste sábado as afirmações da Rússia de que completou a retirada de suas tropas do território da Geórgia da separatista região da Ossétia do Sul. O porta-voz do Ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili, qualificou como "falsas" as afirmações da Rússia e denunciou que suas tropas continuam ocupando a cidade de Senaki, no oeste da Geórgia perto da também separatista Abkházia, e o porto de Poti. O ministro da Defesa da Rússia, Anatoli Serdiukov, informou nesta sexta-feira ao presidente de país, Dmitri Medvedev, que as tropas russas tinham completado sua retirada do território da Geórgia à Ossétia do Sul. "A retirada das tropas russas transcorreu sem incidentes e concluiu como tinha sido planejada às 19h50 de Moscou (12h50 de Brasília)", disse Serdiukov, citado pela agência "Interfax". O titular da Defesa disse que as colunas militares tinham entrado na região da Ossétia do Sul e que parte das unidades já estavam em seu lugar habitual, em território da Federação Russa. Acrescentou que os postos das forças de paz russas na área de segurança, uma faixa de entre 8 e 16 quilômetros no perímetro da Ossétia do Sul, já tinham começado a cumprir suas tarefas. Deste modo, acrescentou Serdiukov, a parte russa cumpriu os acordos contidos no plano de regra pactuado pelo presidente Medvedev e seu colega francês, Nicolas Sarkozy. O chefe do Estado-Maior do Exército da Rússia, Vladimir Boldirev, afirmou na sexta-feira que serão precisos vários dias mais para retirar o total das tropas da região separatista georgiana ao território russo. Segundo as autoridades russas, nas bordas de segurança em torno de ambas as regiões separatistas georgianas serão instalados 36 postos militares russos, 18 em cada uma, a cargo de 2.142 soldados das forças de paz russas na Abkházia e de outros 452 na Ossétia do Sul. "As zonas de segurança são legítimas e são estabelecidos dentro dos acordos existentes. Esta é nossa postura de princípio", afirmou o subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Anatoli Nogovitsin. No entanto, a chefe da diplomacia georgiana, Eka Tkelashvili, denunciou que o plano de regra assinado por seu país e a Rússia não prevê a criação de zonas de segurança permanentes em torno de Ossétia do Sul. "O acordo de cessar-fogo não prevê medidas de segurança adicionais à parte das patrulhas das forças russas em um raio de 15 quilômetros em torno de Tskhinvali (a capital da Ossétia do Sul), mas sem instalar postos de controle, sem cavar trincheiras e sem interromper o tráfego nas estradas", ressaltou a ministra georgiana.

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