Geórgia diz que sua capital sofreu novos ataques da Rússia

Segundo porta-voz do governo, três bases próximas a capital do país e um oleoduto foram atacados

AP

09 de agosto de 2008 | 00h47

O ministério do Interior da Geórgia acusou a Rússia neste sábado, 9, de bombardear três bases militares e armazéns de petróleo estratégicos do país durante um ataque aéreo nas proximidades de Tblisi, a capital da ex-república soviética. Veja também: Ofensiva matou 1.400, diz líder separatista ONU diz que milhares fugiram para a Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia Assista ao vídeo no Youtube  Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito De acordo com o porta-voz Shota Utiashvili, as bombas caíram no oleoduto que liga a capital às cidades de Ceyhan e Baku. O porto de Poti, no Mar Negro, também sofreu danos. O representante do governo georgiano ainda afirmou que há um número significativos de baixas e danos materiais no ataque. Novas informações serão divulgadas pela manhã.O conflito começou quando o governo da Geórgia, principal aliada dos Estados Unidos na região do Cáucaso, lançou uma ofensiva contra a província separatista da Ossétia do Sul, de influência russa. Segundo testemunhas, centenas de civis morreram no ataque.Na manhã de sexta, a Rússia enviou tropas para a para defender seus interesses na região. Desde então, as forças militares dos dois países travam combates em Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul.Troca de acusaçõesO primeiro-ministro russo Vladimir Putin declarou que "a guerra começou", enquanto o presidente georgiano Mikhail Saakashvili acusava Moscou de uma "invasão bem planejada", segundo o jornal The New York Times.Segundo Saakashvili, 30 pessoas morreram no ataque russo. "As forças armadas russas estão bombardeando Tskhinvali com tanques e aviões,", disse o porta-voz do governo georgiano. "Nós perdemos o controle de partes da cidade", acrescentou. Por sua vez, o presidente da região separatista, Eduard Kokoity, informou que cerca de 1.400 pessoas morreram devido à "agressão georgiana". "Nós vamos checar esses números, mas eles estão por volta disso. Nós temos essa informação com base nos relatos de parentes", disse, segundo a agência Interfax.O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que não permitirá a "morte impune" de cidadãos russos e advertiu que os culpados serão castigados, durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia. Não permitiremos a morte impune de nossos compatriotas. Os culpados receberão o merecido castigo", advertiu. Em entrevista à CNN, Saakashvili condenou as ações russas. "Estamos nessa situação de legítima defesa contra um vizinho grande e poderoso. Somos um país com menos de 5 milhões de pessoas e, certamente, nossas forças são incomparáveis (com as da Rússia)", disse o presidente. Saakashvili também afirmou que é do interesse dos Estados Unidos ajudar a Geórgia. "Não é mais sobre a Geórgia. É sobre a América, são valores", disse ele. "Somos uma nação que ama a liberdade e que agora está sob ataque." RepercussãoOs Estados Unidos pediram um cessar-fogo imediato no conflito. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, conversou com representantes das partes envolvidas e está trabalhando para encerrar o impasse, disse Gonzalo Gallegos, porta-voz da chancelaria americana."Nós apoiamos a integridade territorial da Geórgia", continuou o porta-voz. "Estamos trabalhando nos esforços de mediação para garantir um cessar-fogo."Rice pediu que a Rússia "respeite a integridade territorial da Geórgia e retire suas tropas do solo georgiano", em um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.Gallegos informou também que os EUA enviariam ainda nesta sexta-feira um emissário à região para discutir a situação com as partes em conflito e buscar o encerramento das hostilidades. A França, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, também deve mandar uma delegação à região, em conjunto com a iniciativa americana, segundo uma fonte diplomática em Washington.O Pentágono disse que está monitorando os acontecimentos na Geórgia, mas não recebeu um pedido de assistência das autoridades georgianas desde que as forças russas adentraram o país. "Estamos monitorando (a situação) de perto", disse a repórteres Bryan Whitman, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. "Tivemos algum contato com as autoridades georgianas", acrescentou Whitman. Perguntado se houve um pedido de ajuda, ele respondeu que "não."

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