Geórgia e Ossétia do Sul marcam 1º aniversário de guerra

Líder ossetiano denuncia massacre de civis durante o conflito; pelo menos 390 pessoas morreram na ofensiva

Reuters e Associated Press,

07 de agosto de 2009 | 10h13

Geórgia e a Ossétia do Sul lembraram nesta sexta-feira, 7, o aniversário da guerra travada pelos dois lados no ano passado com cerimônias sóbrias e palavras duras. O conflito resultou na morte de pelo menos 390 pessoas, deslocou dezenas de milhares, deixou um legado de animosidade entre os líderes da região e alimenta temores entre os civis de que um novo confronto possa ser deflagrado a qualquer momento.

 

Em 7 de agosto de 2008, as forças georgianas lançaram uma ofensiva para recuperar o controle da Ossétia do Sul, uma república separatista do país, que nos últimos anos já havia se tornado na prática um protetorado russo. Moscou reagiu à ocupação com um devastador contra-ataque, que terminou em 12 de agosto. A guerra matou pelo menos 390 civis e, no seu auge, deixou mais de 100 mil refugiados. Um ano depois, o cessar-fogo não chegou a ser totalmente implementado, há tiroteios esporádicos, e os monitores internacionais já deixaram a Ossétia e uma outra região separatista, a Abkházia.

 

O líder ossetiano, Eduard Kokoity, acusou nesta sexta a Geórgia de ter promovido o massacre de civis quando eles tentavam fugir de uma ofensiva a Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, participou de uma cerimônia em um cemitério militar e pretendia promover um discurso mais tarde.

 

A Ossétia do Sul, uma província georgiana que obteve independência de facto no início da década passada, é isolada do restante da Geórgia por diversos postos militares. Milhares de soldados russos estão posicionados na Ossétia do Sul em apoio às forças locais. A Geórgia, por sua vez, controla posições a apenas algumas centenas de metros da fronteira, monitorada pela União Europeia (UE).

 

Grupos de direitos humanos dizem que houve bombardeios indiscriminados em Tskhinvali, e que depois da invasão soviética surgiram milícias que saqueavam e queimavam aldeias da etnia georgiana. Cerca de 30 mil pessoas, especialmente de origem georgiana, continuam desabrigadas. Em geral, diplomatas consideram que a Geórgia cometeu um erro de avaliação ao invadir a Ossétia do Sul. O Ocidente acusa a Rússia de ter tido uma reação "desproporcional."

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