Geórgia rompe acordo de cooperação antiaérea com a Rússia

Mudança deve ter pouco efeito prático, já que os países não têm defesas aéreas coordenadas há anos

Associated Press e Efe,

05 de maio de 2008 | 14h47

A Geórgia abandonou o acordo de cooperação em defesa antiaérea que tinha com a Rússia, em outro episódio da disputa bilateral por causa do apoio de Moscou às regiões separatistas da Abkhazia e da Ossétia do Sul. O Ministério de Assuntos Exteriores georgiano informou nesta segunda-feira, 5, que foi entregue ao embaixador russo em Tbilisi, A. Smaga, uma nota oficial sobre a saída da Geórgia do acordo de cooperação em defesa antiaérea, assinado pelos dois países em 19 de abril de 1995.   Fontes militares russas disseram que a decisão da Geórgia "não enfraquecerá" a defesa comum, pois sua participação era "nominal" e o único prejudicado será o Estado georgiano, pois "perderá a proteção garantida de ataques aéreos", diz a agência Interfax. O acordo bilateral entre Rússia e Geórgia foi assinado um mês após dez países da Comunidade de Estados Independentes (CEI, todos menos Azerbaijão e Moldávia) assinarem a criação de um sistema comum de defesa antiaérea da aliança pós-soviética.   Tbilisi anunciou a decisão um dia depois de a Abkhazia denunciar que sua defesa antiaérea derrubou dois aviões espiões não pilotados do Exército georgiano. A Geórgia também entregou uma nota de protesto ao embaixador russo em Tbilisi pelo fato de Moscou ter aumentado de 2 mil para 3 mil soldados o contingente de forças de paz russas presentes na Abkházia.   Funcionários da região separatista da Abkházia exibiram nesta segunda-feira o que acreditam ser os destroços de dois aviões de espionagem da Geórgia. A Geórgia afirma que nenhum de seus aviões foi abatido. A Rússia rapidamente acusou Tbilisi de acentuar as tensões na região, e a Geórgia respondeu argumentando que Moscou é quem estava provocando.   A troca de acusações reavivou medos de que algum confronto possa ocorrer entre a Geórgia, a Abkházia e a força de paz russa mantida na fronteira administrativa entre a Geórgia e a Abkházia. Na principal cidade da Abkházia, Sukhumi, o vice-ministro da Defesa, Garry Gupalba, mostrou a repórteres os restos dos aviões, supostamente derrubados no domingo. Segundo ele, os destroços mostram que o avião era do mesmo tipo de uma aeronave fabricada por Israel abatida duas semanas atrás.   A Abkházia e a Ossétia do Sul têm independência de fato desde o início da década de 1990. O apoio de Moscou às duas regiões é alvo de severas críticas da Geórgia - na semana passada, a Rússia anunciou o aumento de sua força de paz na Abkházia. Moscou teme o esforço da Geórgia para se aproximar dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os governantes russos já afirmaram que a inclusão da Geórgia na Otan seria uma ameaça direta. Já Tbilisi acusa a Rússia de ter iniciado uma "anexação militar" desta região do território georgiano, a cuja maioria dos habitantes a Rússia concedeu carta de nacionalidade em segredo.   O primeiro-ministro da Geórgia, Vladimir Gurgenidze, disse em entrevista que é preciso que a comunidade internacional pressione a Rússia pelo fim de suas "ações provocativas deliberadas". A União Européia se mostrou nesta segunda-feira "seriamente preocupada" pela decisão da Rússia de enviar mais tropas à Abkházia e de estabelecer novos postos de controle na fronteira. "A UE pede a todos os lados que evitem qualquer passo que possa aumentar as tensões e pede aos lados que tomem ações para reconstruir a confiança", afirmou comunicado da UE.

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