Gorbachev se alia a bilionário russo para criar novo partido

O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev vai se juntar ao magnata russo Alexander Lebedev para lançar um novo partido político independente do Kremlin, informou o empreendedor bilionário nesta terça-feira. Gorbachev, de 77 anos, ganhou o prêmio Nobel da paz em 1990, por abrir caminho para as revoluções pacíficas que, no ano anterior, levaram a democracia ao leste europeu depois de décadas de controle soviético. Apesar de admirado no Ocidente, ele é bastante impopular em seu país, pois presidiu o rompimento da União Soviética, em 1991, o que gerou um caos político e econômico. Quando se candidatou à Presidência pela última vez, em 1996, ele obteve apenas meio por cento dos votos. O plano inicial para o novo partido foi de Gorbachev, disse Lebedev em seu site pessoal na Internet. "Ele deu liberdade ao nosso povo, mas nós não aprendemos a usá-la", escreveu Lebedev, que disse que o nome provisório do novo partido é "Partido Democrático Independente". O partido vai pressionar por reformas legais e econômicas, além de promover o crescimento da mídia independente, disse Lebedev, que não planeja bancar o partido, mas afirmou que ele será financiado somente por "fontes não-estatais". Ele disse que o partido defende um "capitalismo menos estatal", o desenvolvimento da mídia independente, a reforma do sistema judiciário e um papel mais forte para o Parlamento. Lebedev acrescentou que o partido deve participar das próximas eleições. No entanto, Mikhail Kuznetsov, vice-presidente da atual organização política de Gorbachev, a União dos Social-Democratas, disse que obter assentos no Parlamento não é o objetivo do partido. "Mikhail Gorbachev não está desesperado para obter assentos no Parlamento, ele vai estabelecer um partido democrático independente e sua tarefa será permitir que os jovens se realizem com a nova política", disse Kuznetsov. Gorbachev não quis comentar o assunto, quando contactado pela Reuters. No passado, ele criticou muitas das práticas eleitorais do partido Rússia Unida, do ex-presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin, mas não chegou a atacar Putin diretamente. Gorbachev também apoiou a atuação da Rússia na Geórgia, no mês passado, ato condenado pelo Ocidente. Putin foi acusado pelo Ocidente de esmagar a liberdade de expressão e o desenvolvimento de uma democracia multipartidária.

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