Governo britânico anuncia limites para vistos de turista

Restrições ao tempo de permanência e depósito antecipado de US$ 2 mil estão entre as medidas

Ansa,

18 de dezembro de 2007 | 10h08

O governo britânico anunciou nesta terça-feira, 18, que limitará em três meses o período máximo para o visto de turista e obrigará os britânicos que queiram receber a visita de um cidadão que não tenha passaporte da União Européia a pagarem um depósito de até US$ 2 mil. Com essas medidas, o governo busca reduzir o número de imigrantes que entram no país com vistos de turistas, mas decidem permanecer trabalhando ilegalmente.   Veja também: Londres intensifica ação contra ilegais e atinge brasileiros   Além de reduzir o número de permissões, as autoridades planejam também emitir vistos especiais para eventos, como os Jogos Olímpicos de Londres em 2012.   Habib Rahman, diretor-executivo do Conselho Conjunto para o Bem-Estar dos Imigrantes, declarou à rádio 4 da BBC que as novas medidas discriminam as famílias de imigrantes mais pobres. "O governo está tratando de impedir que as pessoas possam visitar seus familiares. Isso é injusto", afirmou.   Por sua vez, o Partido Conservador britânico afirmou que o plano é uma "bobeira para as manchetes de jornais" e que a única solução para o problema é criar um limite anual de entrada para os imigrantes.   Keith Vaz, presidente do Comitê Parlamentar de Assuntos do Interior, desqualificou as críticas e disse que em princípio "não há nada de mal nos planos". "Temos que analisar as bases econômicas dessa medida. Claramente as pessoas mais pobres não poderão visitar o Reino Unido porque não terão uma família aqui que os possa ajudar com US$ 2 mil", explicou o deputado trabalhista.   Segundo o ministério do Interior britânico, as solicitações de visto de turista aumentaram em 50% nos últimos cinco anos e mais de dois milhões de pessoas obtiveram esse tipo de permissão.   Mudança na imigração   Londres anunciou recentemente que trabalhadores não-qualificados de países que não pertencem à União Européia não poderão trabalhar em território britânico pelo "futuro próximo". Ao anunciar a medida, a ministra do Interior, Jacqui Smith, disse que é necessário controlar os que se mudam para o Reino Unido "pelo bem do país". Cerca de 12 mil imigrantes do tipo foram para o Reino Unido no ano passado, vindos de África, Américas e Ásia.   Segundo Smith, as políticas de imigração não devem levar em conta apenas fatores econômicos, mas também o impacto do fluxo de trabalhadores estrangeiros sobre a sociedade.   Segundo a BBC, o país também vai ampliar a repressão a casamentos forçados - uma tradição em certos países asiáticos - e impor maiores restrições à concessão de cidadania a criminosos condenados.

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