Governo britânico critica líder anglicano por 'defender sharia'

Um membro do governo britânico acusou oarcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder da IgrejaAnglicana, de preparar uma "receita para o caos" ao sugerir serinevitável a adoção, pela Grã-Bretanha, de alguns aspectos dasharia, o código de leis de inspiração islâmica. Os principais partidos políticos da Grã-Bretanhadistanciaram-se na quinta-feira dos comentários feitos porWilliams, líder espiritual dos 77 milhões de anglicanos domundo e que já enfrenta, dentro de sua Igreja, um conflito emtorno da ordenação de sacerdotes homossexuais. "Não se pode adotar dois sistemas jurídicos diferentes aomesmo tempo. Isso seria uma receita para o caos", afirmou osecretário da Cultura britânico, Andy Burnham, acrescentandosua voz às críticas lançadas contra o arcebispo. Nick Clegg, líder dos Liberais Democratas (partido decentro), declarou: "A respeito disso, acho que ele cometeu umerro". Já o ex-secretário do Interior David Blunkett disse queadotar formalmente a lei islâmica "seria algo catastrófico emtermos da coesão social". O tablóide The Sun, maior da Grã-Bretanha, escreveu nasexta-feira que o arcebispo de Canterbury "é uma perigosaameaça à nossa nação". Em declarações dadas à BBC, Williams disse que outrasreligiões gozam de tolerância às suas leis na Grã-Bretanha edefendeu uma "acomodação construtiva" das práticas islâmicas emáreas como as disputas conjugais. Os comentários surpreendentes do arcebispo foram bemrecebidos por alguns grupos muçulmanos, mas o governo disseestar fora de questão a possibilidade de princípios da shariaserem adotados nas cortes civis da Grã-Bretanha. "O primeiro-ministro deixou claro que, na Grã-Bretanha,serão aplicadas leis britânicas baseadas em valoresbritânicos", afirmou um porta-voz do premiê Gordon Brown. A sharia é baseada no Alcorão, nas palavras e ações doprofeta Maomé e seus companheiros, além de nos pareceres deacadêmicos islâmicos. A lei cobre assuntos que vão denegociações comerciais a regulamentações sobre casamento.

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