Andrew Parsons/10 Downing Street via AFP
Andrew Parsons/10 Downing Street via AFP

Governo britânico quer anular partes do acordo de saída da União Europeia, diz jornal

Matéria do Financial Times provocou resposta do negociador do bloco alertando que compromissos devem ser cumpridos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 05h56

O governo britânico está preparando um texto legislativo que pode anular partes do acordo de retirada da União Europeia (UE) firmado em 2019, o que ameaça prejudicar as negociações comerciais entre Londres e Bruxelas. A informação, adiantada pelo jornal "Financial Times", coincide com o ultimato dado pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para que Londres e Bruxelas cheguem a um acordo sobre a sua futura relação comercial para este 15 de outubro. 

Caso contrário seu país finalizará a desconexão do bloco europeu sem pacto quando o período de transição terminar, em 31 de dezembro. As ameaças do executivo conservador britânico vêm à tona antes que outra rodada de negociações entre o negociador britânico, David Frost, e o clube da comunidade, Michel Barnier, comece nesta terça-feira, 8.

Nesta segunda-feira, 7, o principal negociador da União Européia para o Brexit, Michel Barnier, alertou que todos os compromissos alcançados "devem ser respeitados". "É um sinal de confiança no futuro", insistiu Barnier em entrevista à rádio France Inter.

Barnier disse que abordará esta questão com seu homólogo britânico David Frost durante a oitava rodada de negociações sobre as relações pós-Brexit entre a UE e o Reino Unido esta semana. "O que é importante para mim é o que o primeiro-ministro diz e faz, e o que o governo britânico diz e faz", enfatizou.

Quanto à Irlanda do Norte, Barnier insistiu que não deveria haver fronteira terrestre. "É a condição para uma economia unida e coerente em toda a ilha e também para que todo o mercado único seja respeitado." 

A Grã-Bretanha deixou formalmente a UE em 31 de janeiro, cerca de quatro anos depois de um referendo histórico que marcou o fim de quase 50 anos de adesão ao bloco. Até o final do ano, o país continua regido por regulamentações europeias, enquanto ambas as partes tentam selar um acordo de livre comércio. /AFP e EFE

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