Governo da Catalunha ameaça usar força para conter protestos

A aprovação do Orçamento da Catalunha, a região mais rica da Espanha, começou com um abalo na quarta-feira, quando milhares de manifestantes bloquearam o acesso ao Parlamento regional e o governo advertiu para o possível uso da força para dispersar o protesto.

ALBERT GEA, REUTERS

15 de junho de 2011 | 21h18

O chefe do governo catalão, Artur Mas, foi levado ao Parlamento em helicóptero da polícia depois de um grupo de pessoas, em sua maioria jovens, ter bloqueado a entrada principal, protestando contra um orçamento que pretende reduzir em 10 por cento os gastos públicos na região.

O início da discussão do orçamento foi atrasado para dar aos políticos mais tempo de chegar ao recinto. Cerca de 2.000 manifestantes gritaram "Sem-vergonhas!" e "Vocês não nos representam!", enquanto cercavam políticos, em meio à forte presença policial.

Foram lançados ovos e água, mas sem atingí-los, segundo um fotógrafo da Reuters.

"Uma coisa é a discrepância legítima, que se pode expressar livremente, e outra é atuar com violência", disse Mas depois de anunciar que os policiais poderiam fazer "uso legítimo da força" para garantir a integridade dos deputados.

O presidente da Generalitat pediu ao povo catalão "compreensão".

A sessão da tarde aconteceu sem incidentes e os parlamentares conseguiram deixar o local por diferentes portas, a pé escoltados ou em carros oficiais já no início da noite.

Seis pessoas foram detidas durante os protestos e 14 tiveram ferimentos leves, informou uma fonte policial. De acordo com a mídia, mais de 15 manifestantes também teriam sido feridos.

A Catalunha, responsável por um quinto da riqueza da Espanha, apresentou déficit equivalente a 3,9 por cento de seu Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado e, assim como todos os governos regionais individuais, tem a meta de reduzir o déficit para 1,3 por cento até o fim do ano.

Os mercados financeiros temem que os governos regionais poderiam fazer com que a Espanha ultrapassasse sua meta de déficit público total de 6 por cento do PIB, ampliando uma crise de dívida na zona do euro que já levou três países a necessitar de pacotes de resgate financeiro.

A Espanha tem o maior índice de desemprego da União Europeia, e quase metade dos espanhóis com menos de 25 anos está desempregada, fato que motivou protestos em todo o país nos últimos 30 dias, com chamados por uma reforma do sistema eleitoral e de combate à corrupção.

A previsão é de que o orçamento da Catalunha seja aprovado até o fim de julho.

(Reportagem adicional de Albert Fernández, em Barcelona; e de Teresa Larraz, em Madri)

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