Associated Press
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Governo da França justifica desmanche do campo de Calais

Segundo ministro da Imigração, operação visava "romper a base" do tráfico de imigrantes ilegais

Efe,

23 de setembro de 2009 | 10h56

O ministro francês de Imigração, Eric Besson, justificou o desmantelamento do acampamento de imigrantes ilegais em Calais (noroeste do país) nesta quarta-feira, 23, alegando que a ação tinha o objetivo de "romper o campo base" dos traficantes, que obrigavam os imigrantes a pagar 15 mil euros para viverem no local.

 

"O objetivo não era deter a dezenas de imigrantes, mas romper a ferramenta de trabalho dos traficantes", "romper seu campo base", destacou Besson em entrevista à emissora de rádio France Info ao comentar a operação policial que deteve 276 imigrantes, em sua maioria afegãos, que tentariam de passar clandestinamente ao Reino Unido desde o porto de Calais.

 

O ministro explicou que os imigrantes ilegais, que habitavam em tendas de campanha e barracos, tinham pago aos traficantes 15 mil euros para chegar até ali desde a Grécia, e depois tinham que acrescentar entre 500 e mil euros suplementares para atravessar o canal da Mancha.

 

Besson - um antigo dirigente socialista agora no governo do conservador Nicolas Sarkozy - afirmou que "era inaceitável" que se permitisse que os imigrantes ilegais estivessem instalados a algumas dezenas de metros do porto quando se sabia que tentavam burlar os controles policiais e passar ao Reino Unido. Sobre os detidos, confirmou que quatro foram hospitalizados por ter sarna e que mais de 130 menores foram levados a centros especializados.

 

Aos que criticaram os métodos e o tratamento dado aos imigrantes, o ministro assinalou que se dezenas de crianças tinham ficado ali apesar de se saber que haveria uma operação policial é porque a "França se distingue" do resto da Europa por não expulsar os menores. "França é o país europeu mais generoso em matéria de asilo" e inclusive está "na frente dos EUA e do Canadá", acrescentou.

 

A secretária nacional do Partido Socialista, Martine Aubry, qualificou o desmantelamento do acampamento como "um golpe midiático" de Besson que queria assim "recuperar o favor dos deputados de direitas". Aubry, também em declarações a France Info, assinalou que com a destruição do que se conhecia como "a selva" "se joga abaixo o único lugar onde havia um pouco de humanidade" com os clandestinos de Calais, que agora se vão a dispersar por toda a região. "É indigno da França, é desumano", disse a máxima responsável dos socialistas franceses.

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