Governo de Berlusconi vê complô para manchar imagem da Itália

O governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi prometeu na sexta-feira defender a reputação e os interesses do país do que disse ser um esquema destinado a "manchar a imagem da Itália no cenário internacional".

REUTERS

26 de novembro de 2010 | 15h19

Um comunicado do governo citou a cobertura da mídia global sobre uma série de histórias nos últimos dias como "sintomas de uma estratégia" para prejudicar a posição internacional da Itália.

Entre os assuntos das reportagens, estariam a investigação envolvendo o grupo de defesa Finmeccanica, fotos do lixo não coletado em Nápoles e o descuido com as ruínas arqueológicas da cidade de Pompeia, assim como a divulgação prevista de arquivos secretos norte-americanos pelo WikiLeaks.

Ao conversar com jornalistas na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou que, entre os documentos a serem publicados no site, "deve haver julgamentos e fatos que podem atingir a Itália como protagonista internacional".

O governo de centro-direita de Berlusconi enfrenta há meses uma série de escândalos de corrupção, uma economia morosa e uma disputa interna que culminará na votação de uma moção de confiança em 14 de dezembro, que poderá gerar eleições antecipadas.

O comunicado, divulgado após uma reunião de gabinete, disse que Frattini informou os ministros sobre as "questões delicadas" e a necessidade de agir "com firmeza e determinação para defender a imagem nacional e proteger os interesses econômicos e políticos do país".

"Esse propósito foi compartilhado com unanimidade pelos ministros de governo", disse o comunicado, que não especificou quem poderia estar por trás do suposto complô.

Um assessor de Frattini afirmou que não havia uma evidência precisa de conspiração, mas a cobertura negativa da mídia sobre a Itália e o seu governo na imprensa internacional parecia ser influenciada pelo "interesse de países estrangeiros", sem dar detalhes.

A popularidade de Berlusconi atingiu um recorde de baixa, com a crise do lixo em Nápoles e o colapso da "Casa dos Gladiadores", de 2 mil anos, nas ruínas de Pompeia este mês.

Além disso, promotores de Roma investigam uma unidade da Finmeccanica, o sétimo maior grupo aeroespacial e defesa da Europa, por suposto caixa dois. A Finmeccanica nega as acusações e diz que nunca criou um fundo desse tipo na Itália nem no exterior.

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