Governo português enfrenta voto de desconfiança simbólico

O Partido Socialista português, o principal da oposição, vai apresentar uma moção de desconfiança contra a coalizão governista de centro-direita, numa ação em grande parte simbólica que reflete a crescente resistência às medidas de austeridade no país, que vive sua pior recessão desde a década de 1970.

Reuters

22 de março de 2013 | 09h05

O governo, elogiado pela União Europeia por causa da sua austeridade e das reformas estruturais, tem sólida maioria no Parlamento, e irá facilmente derrotar a moção socialista, como já fez com três iniciativas semelhantes apresentadas por pequenos partidos de esquerda.

Em abril de 2011, o governo socialista da época solicitou um resgate da União Europeia e do FMI. Os socialistas apoiam as exigências dos credores até meses atrás, mas a piora da perspectiva econômica fez os socialistas se voltarem contra qualquer nova medida de austeridade. A moção de desconfiança formaliza essa posição.

"É a nossa ruptura com o governo devido à tragédia econômica e social no país, devido às políticas errôneas e à insistência do governo em realizá-las", disse José Vera Jardim, porta-voz da Comissão Política do partido, após uma reunião interna.

Analistas dizem que a moção não representa um risco sério para o governo, mas que, junto com a possível rejeição pela Corte Constitucional de algumas medidas de austeridade adotadas neste ano, pode contribuir para desestabilizar a administração.

O semanário Sol disse na sexta-feira que a Corte pode rejeitar a adoção de novos impostos e alíquotas no valor de até 1 bilhão de euros, em vigor desde janeiro. Isso representa cerca de um quinto do dinheiro resultante das medidas de austeridade deste ano.

(Reportagem de Andrei Khalip)

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