Governo sérvio anuncia a prisão de Radovan Karadzic

Um dos homens mais procurados do mundo, ele foi indiciado pelo genocídio de 8 mil muçulmanos em Srebrenica

Reuters e AP,

21 de julho de 2008 | 18h39

O presidente servo-bósnio Radovan Karadzic durante a guerra na ex-Iugoslávia (1992-95), um dos homens mais procurados do mundo, foi preso, informou nesta segunda-feira, 21, o gabinete do presidente Boris Tadic em nota. Karadzic foi duplamente indiciado de genocídio pelo cerco de 43 meses de Sarajevo, que deixou cerca de 10 mil mortos, e pelo massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, em 1995. Ele estava foragido havia 12 anos.  Veja também:Quem é Radovan KaradzicSarajevo comemora prisão de KaradzicCronologia dos conflitos nos Bálcãs O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região  "Karadzic foi localizado e preso", informou o comunicado do governo sérvio. Segundo a nota, o ex-presidente foi preso "em uma ação das forças de segurança da Sérvia". Ele foi detido e levado diante de juízes do tribunal de crimes de guerra.  Fontes governamentais informaram à agencia Reuters que ele foi preso em Belgrado. O tribunal das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia já acusou 19 pessoas pelo massacre de Srebrenica, incluindo Karadzic, e seu comandante militar, Ratko Mladic, que continua foragido.  A captura e entrega dos dois à Justiça internacional é a principal condição para que a Sérvia e a Bósnia possam progredir rumo à União Européia (UE). A presidência da UE, atualmente liderada pela França, comemorou a prisão e disse que é um grande passo para que a Sérvia passe a integrar o bloco. Arte/PortalSe Karadzic for extraditado para o Tribunal de Haia, ele poderá ser o 44.º suspeito sérvio levado à corte. Entre os outros está o ex-presidente Slobodan Milosevic, deposto em 2000, que morreu durante seu julgamento por crimes de guerra em 2006.  "Este é um dia muito importante para as vítimas que esperaram mais de uma década por esta prisão. Também é importante para a justiça internacional, porque claramente demonstra que ninguém está acima do alcance da lei - cedo ou tarde, todos os fugitivos serão levados à justiça", declarou o procurador-chefe do tribunal da ONU, Serge Brammertz.  O conflito na Bósnia (1992-95), foi deflagrado pelos nacionalistas bósnios de etnia sérvia, que tentaram em vão evitar que a Bósnia-Herzegovina se separasse do que restava da antiga Iugoslávia (que já havia perdido a Croácia). Repercussão O líder francês e atual presidente da UE, Nicolas Sarkozy, comemorou a detenção de Karadzic. Ele considerou que mostra a vontade do novo governo da Sérvia de aproximar o país do bloco europeu. Sarkozy recebeu com "muita satisfação" a detenção de Karadzic, indicou o Palácio do Eliseu em comunicado. "Esta detenção, aguardada há muito tempo, manifesta claramente a vontade do novo governo de Belgrado de aproximar a Sérvia da União Européia, contribuindo à paz e à estabilidade dos Bálcãs", destaca a nota. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também parabenizou o governo sérvio pela prisão de Karadzic. "Felicitamos o governo sérvio e agradecemos as pessoas que realizaram esta operação por seu profissionalismo e coragem", disse Bush em comunicado divulgado por sua porta-voz, Dana Perino. Para os EUA, a captura do ex-presidente é uma "grande mostra" da determinação do Governo sérvio de cooperar com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII)." Washington considera também que o momento da detenção, que ocorreu dias depois da comemoração do massacre de cerca de oito mil homens muçulmanos de Srebrenica, "é particularmente apropriado, já que não há melhor tributo às vítimas de atrocidades de guerra que levar os responsáveis perante a justiça." O Massacre de Srebrenica Cerca de 8 mil homens com mais de 14 anos foram mortos por tropas servo-bósnias que em 11 de julho de 1995 invadiram a cidade de Srebrenica, um enclave muçulmano próximo a fronteira da Sérvia com a Bósnia. O massacre é considerado o pior acontecido em solo europeu desde o final da 2.ª Guerra Mundial. Srebrinica era protegida por forças de paz das Nações Unidas. A Guerra da Bósnia começou em 1992 e deixou mais de 100 mil mortos - três quartos deles muçulmanos bósnios. O conflito só terminou em 1995, com um acordo de paz que dividiu o país em uma federação muçulmana croata e em um Estado servo-bósnio. (Matéria atualizada às 21h15)  

Tudo o que sabemos sobre:
Radovan Karadzic

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.