Governo turco planeja retirada de mendigos sírios das ruas de Istambul

Autoridades em Istambul estão trabalhando em planos para remover das ruas mendigos sírios e abrigá-los em campos de refugiados como os da fronteira, no momento em que a Turquia luta para conter um fluxo de mais de 1 milhão de refugiados e a hospitalidade dos turcos começa a se desgastar.

DASHA AFANASIEVA E SEDA SEZER, REUTERS

21 de julho de 2014 | 12h34

Um número cada vez maior de mendigos está espalhado pelas ruas de Istambul, muitos deles sírios deslocados pela guerra de três anos de seu país, incluindo mulheres e crianças, com passaportes nas mãos, batendo nos vidros dos carros no tráfego intenso da cidade para pedir esmolas.

Eles representam uma pequena fração dos sírios abrigados na Turquia. Alguns vivem em alojamentos bem equipados ao longo da fronteira, outros moram com amigos ou a família ou em casas modestas alugadas em cidades do sudeste da Turquia, Ancara ou Istambul.

"Nós os advertimos continuamente e falamos para não mendigarem. Mas eles estão insistindo. Se eles não pararem de mendigar tomaremos a decisão de enviá-los para um acampamento", disse o governador da cidade, Huseyin Avni Mutlu, à Reuters.

"Os habitantes de Istambul exigiram isso. Recebemos queixas", disse ele, observando que os sírios também estão descontentes com a situação de seus compatriotas, o que segundo eles cria uma reputação negativa aos olhos dos turcos.

Segundo Mutlu, alguns deles já se ofereceram para ir para os acampamentos, deixando para trás os prédios abandonados onde fizeram suas casas, muitas vezes sem eletricidade ou água corrente. Outros ainda precisam ser convencidos e, se necessário, serão levados contra a sua vontade.

"Nós sempre os ajudamos se eles querem ir, nós pagamos suas despesas, alugamos veículos para levá-los, damos todo o apoio de que precisam", disse Mutlu, estimando que dos 67 mil sírios em Istambul apenas algumas centenas continuam a mendigar.

A Turquia gastou bilhões de dólares abrigando refugiados e manteve uma política de "fronteira aberta" durante todo o conflito em seu vizinho do sul. Mas, como muitos na comunidade internacional, o país apostou em uma queda rápida do presidente sírio, Bashar al-Assad, nas fases iniciais da guerra, e não antecipou uma crise humanitária em tal escala.

Os grupos do governo e da sociedade civil têm dado a muitos sírios acesso à educação e saúde, e fechado os olhos para o emprego informal, mas há preocupações crescentes sobre a integração deles a longo prazo.

Houve protestos isolados no sudeste contra os refugiados que aceitam salários mais baixos, elevando os preços de alojamento e comida.

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