Grã-Bretanha diz que asilo a Assange no Equador não mudaria nada

A Grã-Bretanha afirmou ao Equador nesta quinta-feira que conceder asilo político a Julian Assange não mudaria em nada a situação e que isso poderia causar a revogação do status diplomático da embaixada do governo equatoriano em Londres para permitir a extradição do fundador do WikiLeaks.

Reuters

16 de agosto de 2012 | 08h14

O governo equatoriano, que deve anunciar a sua decisão sobre o pedido de asilo de Assange às 9h (horário de Brasília) desta quinta-feira, afirmou que qualquer tentativa de remover o status diplomático de sua embaixada seria considerada "hostil e um ato intolerável".

"É muito cedo para dizer quando ou se a Grã-Bretanha irá revogar o status diplomático da embaixada equatoriana", afirmou um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores pelo telefone.

"Dar asilo não muda fundamentalmente nada", disse o porta-voz, acrescentando que a Grã-Bretanha tinha o dever legal de extraditar Assange para a Suécia, onde ele é requisitado para enfrentar um julgamento por estupro.

O governo equatoriano se irritou com a ameaça.

"Queremos ser bem claros, nós não somos uma colônia britânica. Os tempos coloniais acabaram", disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, em comunicado furioso após uma reunião com o presidente do Equador, Rafael Correa.

"A medida anunciada no comunicado oficial britânico, caso aconteça, será interpretada pelo Equador como antipática, hostil e um ato intolerável, assim como um ataque à nossa soberania, o que nos forçaria a responder da maneira diplomática mais forte possível", Patiño disse a repórteres.

Em Londres, policiais britânicos e manifestantes cantando slogans em apoio a Assange entraram em confronto do lado de fora da embaixada equatoriana nesta quinta-feira, após a Grã-Bretanha afirmar que poderia entrar no prédio para deter o fundador do WikiLeaks, que está abrigado no local.

Cerca de 20 policiais estavam do lado de fora do prédio tentando afastar o grupo de cerca de 15 manifestantes. Pelo menos três pessoas foram arrastadas pela polícia, enquanto o grupo gritava: "Vocês estão tentando começar uma guerra com o Equador."

(Reportagem de Mohammed Abbas e Alessandra Prentice)

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