Grã-Bretanha diz que vai desacelerar adoção de biocombustíveis

O governo britânico afirmou nasegunda-feira que vai desacelerar a adoção dos biocombustíveisa fim de responder à preocupação de que alterar o uso de terraspara produzir matérias-primas pode agravar as mudançasclimáticas e puxar para cima o preço dos alimentos. O governo da Grã-Bretanha aceitou as conclusões de umrelatório que encomendou e que foi realizado por Ed Gallagher,presidente da Agência de Combustíveis Renováveis. O documentodefendeu uma postura mais cautelosa na questão até que maisestudos sejam realizados. "O relatório Gallagher conclui que a adoção dosbiocombustíveis deveria ser brecada até que políticas sejamadotadas a fim de direcionar a produção de biocombustíveis paraterras marginais e abandonadas e até que essas políticasmostrem-se eficientes", afirmou a secretária britânica dosTransportes, Ruth Kelly, ao Parlamento do país. "Em resumo, o relatório conclui que o governo deveriareformar, mas não abandonar sua política de biocombustíveis",acrescentou. "Eu concordo com essas conclusões." Os biocombustíveis são produzidos a partir de safras comotrigo, milho e oleaginosas, ou cana-de-açúcar. E são vistoscomo uma forma de conter as emissões de gases do efeito estufaresponsáveis pela mudança climática. Críticos dessa alternativa afirmam que a produção debiocombustíveis tira terras da produção de comida, ajudando aelevar o preço dos alimentos e, em alguns casos, provocando adestruição de florestas tropicais. A proposta da União Européia de fazer com que até 2020 10por cento do combustível consumido por sua frota de veículosvenham de fontes renováveis vê-se cada vez mais criticada. "Esse relatório envia uma mensagem clara -- usar safrascomestíveis para abastecer nossos carros é uma alternativa quecorre o risco de agravar as mudanças climáticas e que fará opreço dos alimentos subir para as pessoas mais pobres domundo", disse Doug Parr, cientista-chefe do grupo ambientalistaGreenpeace. Clare Wenner, chefe da área de biocombustíveis para aAssociação de Energia Renovável, disse que as medidas podemcriar um ambiente inóspito para os que investem embiocombustíveis. "A redução na velocidade é decepcionante, mas, quando secompara esse com outros relatórios, com outras condições, tudocontribui para tornar o ambiente muito difícil," afirmouWenner. "Meu maior temor é de que os investidores vão correr dessaalternativa neste país." O relatório veio a público no momento em que o Grupo dosOito (G8), que reúne países ricos, faz no Japão uma cúpula emque a disparada do preço dos alimentos é um dos principaisassuntos debatidos.

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