Grã-Bretanha pede mais pressão da UE sobre o Irã

A Grã-Bretanha pediu nesta quinta-feira aos ministros de Relações Exteriores da União Europeia que intensifiquem a pressão econômica sobre o programa nuclear iraniano, mas não há certeza de que as novas sanções da UE incluiriam um embargo à importação de petróleo iraniano.

REUTERS

01 de dezembro de 2011 | 10h53

A Grã-Bretanha, cuja embaixada em Teerã foi invadida por manifestantes na terça-feira, deve liderar as propostas de novas sanções, com base em um recente relatório da agência nuclear da ONU que acusava o Irã de tentar desenvolver secretamente uma bomba atômica. O Irã, porém, insiste no caráter pacífico das suas atividades nucleares.

"Espero que concordemos hoje com medidas adicionais que sejam uma intensificação da pressão econômica sobre o Irã, uma pressão econômica pacífica e legítima, particularmente para aumentar o isolamento do setor financeiro iraniano", disse o chanceler William Hague a jornalistas.

A Grã-Bretanha na quarta-feira fechou a embaixada do Irã em Londres e expulsou todo o pessoal diplomático, alegando que o ataque à sua embaixada em Teerã não poderia ter ocorrido sem consentimento das autoridades iranianas.

Mas Hague negou que a posição britânica na reunião de quinta-feira esteja condicionada pelo incidente na embaixada. "Saliento que as medidas que espero definirmos hoje estão relacionadas ao programa nuclear iraniano. Não são medidas em reação ao que aconteceu na nossa embaixada", disse ele à rádio BBC.

A UE já definiu algumas medidas a serem impostas ao Irã, como a inclusão de cerca de 180 nomes em uma lista de pessoas e entidades afetadas por sanções pan-europeias.

Mas alguns governos do bloco acham que é cedo para impor um embargo petrolífero ou para proibir empresas europeias de manterem negócios com o Banco Central iraniano, já que isso poderia ter consequências econômicas abrangentes.

O embargo petrolífero, por exemplo, poderia fazer a cotação do produto disparar. E a endividada Grécia precisa do petróleo iraniano, que lhe chega sob condições financeiras favoráveis. O Irã é o quinto maior exportador de petróleo do mundo.

Diplomatas dizem que os ministros não poderão ainda chegar a um acordo sobre o eventual embargo, mas que as discussões deverão ser finalizadas na semana que vem, quando acontece uma cúpula dos chefes de governo do bloco.

O chanceler sueco, Carl Bildt, se disse disposto a aceitar o embargo petrolífero, mas ressalvou: "Não acho que isso irá necessariamente ter tanto efeito, por causa da natureza do mercado global de petróleo."

O ministro alemão de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse que a Europa precisa tomar providências para isolar financeiramente o programa nuclear iraniano, mas alertou que eventuais sanções terão de levar em conta que "a população do Irã não é responsável pela política de lá".

(Reportagem de David Brunnstrom, Justyna Pawlak e Ilona Wissenbach)

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