Grã-Bretanha quer relançar relações com América Latina

A Grã-Bretanha disse na terça-feira que pretende abrir um novo capítulo em suas relações com a América Latina, ampliando as relações empresariais e políticas, e apoiando a presença permanente do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

ADRIAN CROFT, REUTERS

09 Novembro 2010 | 17h46

"Vamos reverter o declínio na presença diplomática britânica na América Latina. O recuo da Grã-Bretanha na região acabou, e agora é hora de iniciar um avanço", disse o chanceler William Hague em discurso na entidade londrina Canning House, especializada em questões latino-americanas.

Em seis meses desde sua posse, o atual governo conservador britânico vem buscando uma aproximação econômica com grandes mercados emergentes, como China, Índia, Brasil e a região do golfo Pérsico.

A expectativa é de que o comércio com esses lugares contribua com a recuperação econômica da Grã-Bretanha, que atravessou uma forte recessão e está cortando gastos públicos para reduzir o déficit público, o que deve se refletir numa queda da demanda interna.

Entre 2003 e 2005, a Grã-Bretanha fechou quatro embaixadas na América Latina, e Londres continua tendo atritos com a Argentina por causa da posse das ilhas Malvinas, que provocou uma guerra entre os dois países em 1982.

Hague disse que seu país não abrirá mão da soberania sobre as ilhas, mas "isso não deve ser um obstáculo às relações positivas que buscamos."

O ministro lembrou que, há um século, a Grã-Bretanha era um importante investidor e parceiro comercial da América Latina. Atualmente, pouco mais de 1 por cento dos produtos importados pela região vêm da Grã-Bretanha.

"Exportamos mais do que o triplo para a Irlanda do que para toda a América Latina, uma região de 576 milhões de habitantes e 20 repúblicas soberanas", comparou Hague.

"Vamos buscar novas oportunidades econômicas, incentivando investimentos na Grã-Bretanha, trabalhando para dar mais destaque à América Latina junto às empresas britânicas, e ajudando as empresas britânicas a acessarem os mercados na região", afirmou.

Ele disse que a Grã-Bretanha, como membro permanente e com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, continuará defendendo uma reforma nesse organismo, inclusive com a presença do Brasil em um Conselho expandido.

Vários ministros britânicos já visitaram a América Latina desde que a coalizão de centro-direita tomou posse, e Hague disse que o vice-premiê Nick Clegg chefiará uma delegação para a região no ano que vem.

Ele acrescentou que o governo britânico está se empenhando em ajudar a empresa local BAE Systems a vencer a licitação para a modernização da Marinha brasileira.

O jornal Financial Times disse em setembro que a BAE Systems quer fornecer seis barcos de patrulha e cinco ou seis fragatas Tipo 26 para o Brasil, num valor de até 4,69 bilhões de dólares.

Mais conteúdo sobre:
GRABRETANHAAMERICALATINA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.