Grã-Bretanha tem maior onda de greve em 10 anos

Mais de 100 mil servidores públicos --de professores a guardas-costeiros -- entraram em greve naquinta-feira na Grã-Bretanha, em protesto contra o governotrabalhista, na maior onda de paralisações dos últimos dezanos. Foi mais um golpe para o primeiro-ministro Gordon Brown,que na véspera já fora forçado por correligionáriosdescontentes a um humilhante cancelamento nas suas políticas decortes tributários. Na semana que vem, Brown enfrenta seuprimeiro teste nas urnas, nas eleições municipais. A greve de um dia por melhores salários incluiu tambéminstrutores de trânsito e funcionários da Previdência e doscentros de apoio ao trabalhador. Os sindicatos estimam que aadesão foi de 100.000 a 400.000 servidores. Na Escócia, os funcionários da refinaria de petróleoGrangemouth também decidiram entrar em greve por causa de umadisputa previdenciária, o que pode acarretar problemas nadistribuição de combustíveis. O secretário de Negócios, John Hutton, disse que não hánecessidade de o governo assumir poderes de emergência e que osestoques e a importação de combustíveis bastam para suprir ademanda. No centro de Londres, milhares de professores fizeram umapasseata carregando cartazes. A opinião pública se dividequanto à greve, e pais de alunos estão especialmentedescontentes. Esta é a primeira greve nacional da educação em 20 anos,com a participação de dezenas de milhares de professores emilhares de conferencistas universitários. Eles dizem que seusaumentos salariais não acompanham a inflação. "Ensinamos os futuros líderes, enfermeiros, professores --vocês não podem se virar sem nós", disse a professora JanetArthur à Reuters durante uma manifestação em Londres. "É umcírculo vicioso, e a pobreza vai se estabelecer. Queremos terfamília também." Alex Kenny, porta-voz do sindicato, disse que "a greve dehoje não será o fim disso". Brown, que foi ministro das Finanças por 10 anos e recebeuo cargo de Tony Blair em junho, vê sua popularidade despencarapós uma série de crises. Ele luta para manter a economiaaprumada e tenta conter os gastos públicos. "É lamentável para os alunos, é lamentável para os pais",disse ele sobre a greve de professores. "Este é um governo [doPartido Trabalhista] que ao longo de mais de dez anos dobrou ogasto com educação." O governo fez na quarta-feira concessões a parlamentarestrabalhistas contrários à reforma fiscal e prometeu medidaspara compensar as pessoas afetadas pela abolição da alíquotamais baixa do imposto de renda.

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