Grã-Bretanha tenta acalmar a raiva com pagamentos de patrões

A Grã-Bretanha vai definir os planos na próxima semana para acabar com a remuneração de executivos e assim tentar resolver a indignação popular com os altos salários dos "gatos gordos" em uma época de profundos cortes de gastos públicos e temores de recessão.

PETER GRIFFITHS E TIM CASTLE, REUTERS

20 de janeiro de 2012 | 12h39

O primeiro-ministro, David Cameron, disse que uma falha de mercado durante os anos de "capitalismo turbo" incontrolável havia rompido a ligação entre risco e recompensa, dando a alguns executivos generosas promoções, apesar do desemprenho medíocre.

Políticos de todos os partidos lutaram para assumir a liderança nas reformas enquanto os britânicos se ressentem das medidas de austeridade do governo, com o desemprego mais alto em 17 anos e aumentos salariais abaixo da inflação para a maioria dos trabalhadores.

Os salários dos maiores diretores da Grã-Bretanha subiram quase 50 por cento no ano passado, apesar de um crescimento apenas moderado nas empresas líderes, segundo uma pesquisa feita pela Incomes Data Service, parte da Thomson Reuters.

"Deve haver um mercado em funcionamento adequado para os talentos no topo do negócio", disse Cameron, que lidera os Conservadores de centro-direita, o parceiro dominante na coalizão de governo britânica.

"Precisamos fazer o mercado funcionar e faremos isso capacitando os acionistas e usando o poder da transparência".

A raiva com os pagamentos, especialmente no setor financeiro, aumentou durante a crise de crédito de 2007-2008, quando o banco Northern Rock foi nacionalizado e jogou 66 bilhões de libras (102 bilhões de dólares) no Lloyds e no Royal Bank of Scotland.

Os manifestantes, inspirados pelas demonstrações Occupy Wall Street em Nova York, continuam acampados em frente à Catedral de St. Paul, no distrito financeiro da City de Londres, mais de três meses depois de terem erguido suas barracas. Eles protestam contra a desigualdade social e a ambição corporativa.

O Partido Trabalhista, da oposição, de centro-esquerda, que deixou o poder depois de 13 anos em 2010, acusou os conservadores de falar duro sobre os pagamentos, mas de não agir.

Descrevendo a questão como a principal batalha na política britânica, o líder trabalhista Ed Miliband disse: "Eu francamente não acredito que este primeiro-ministro fale sério sobre essa agenda".

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