'Grande coalizão' pode sobreviver a eleições na Alemanha

Angela Merkel deve seguir como líder por conta de oposição pequena e dividida; votação ocorre no domingo

Agência Estado e Associated Press,

22 de setembro de 2009 | 15h01

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tem boas chances de liderar outra "grande coalizão" partidária após as eleições deste domingo, conforme apontam as pesquisas eleitorais no país. Conservadora, a atual líder deseja estabelecer um governo de centro-direita, para encerrar a aliança de quatro anos com os Social-Democratas, de centro-esquerda, e dar ao país uma direção mais clara.

 

A atual coalizão já dura quatro anos e as pesquisas agora dão à formação preferida por Angela uma maioria estreita. Em 2005, ela ficou perto de conseguir sua meta, e desta vez deixa claro que as opções ainda estão em aberto.

 

A chanceler disputa o principal cargo político do país com o social-democrata Frank-Walter Steinmeier, vice-chanceler e ministro de Relações Exteriores do atual governo. A campanha não tem registrado, porém, paixões inflamadas nem ataques.

 

O único debate realizado pela televisão foi tão morno que o mediador Peter Limbourg disse aos candidatos que eles pareciam um velho casal, agindo "mais como um dueto que como um duelo".

 

Os dois grandes partidos do país em geral têm dificuldades para reconhecer "que conseguiram avançar juntos em muitas áreas", notou o cientista político Oskar Niedermayer, da Universidade Livre de Berlin. Segundo ele, outra coalizão é "sempre uma opção que eles têm sob a manga".

 

Caso a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler e os Democratas Livres não consigam uma maioria de centro-direita, a única alternativa seria uma série de possíveis alianças em três partes, com partidos divergentes. Os comentaristas acreditam que a chance é baixa de essas siglas conseguirem superar as diferenças para se unir.

 

Diante de uma oposição pequena e ideologicamente dividida, a coalizão de Angela propôs o aumento da idade de aposentadoria para 67 anos, e não os 65 atuais, e cortes nos custos trabalhistas. Uma tentativa de reformar o sistema de saúde pública terminou em um compromisso que não agradou a nenhuma das partes.

 

A coalizão também revisou em parte uma das reformas anteriores de governos de centro-esquerda, ao expandir os benefícios para os desempregados para os mais velhos que não conseguem trabalho.

 

As ideias comuns pareciam estar perto do fim até o ano passado, mas os conservadores e os social-democratas se uniram em pontos decisivos, para resgatar os bancos e estimular a economia. "Na crise, foi mostrado que eles podem governar juntos", notou Niedermayer. "As pessoas reclamam da 'grande coalizão', mas podem na verdade julgá-la como positiva."

 

Oficialmente, pelo menos, ninguém quer repetir a grande coalizão, mas também ninguém a descarta. "Eu acredito que é bom para a democracia quando 'grandes coalizões' não são a norma", disse a chanceler durante seu debate com Steinmeier.

 

Não se sabe se uma reedição desse modelo dos últimos quatro anos conseguiria superar temas difíceis, como as divergências sobre os salários mínimos, segundo o cientista político Heinrich Oberreuter, professor da Universidade de Passau.

 

Os políticos de centro-direita dizem que uma "grande coalizão" pode não durar outros quatro anos, e os social-democratas - sob nova liderança - podem decidir deixar o governo antes disso, talvez para formar um governo com o oposicionista Partido da Esquerda, que se opõem a reformas econômicas. "Eu não estou descartando isso, mas acho que não é muito

provável", avaliou Oberreuter.

 

Outro importante social-democrata, o ministro das Finanças Peer Steinbrueck, pediu na semana passada uma reedição da coalizão. Seu partido rechaçou a ideia. Essa repetição da fórmula seria a melhor chance para os social-democratas permanecerem no poder, após 11 anos na situação. O prognóstico, porém, não é tão agradável.

 

Apesar de manter metade dos postos no gabinete, os social-democratas estão mal nas pesquisas, já que a maioria do crédito pelos avanços do governo ficou com Angela. Com isso, a sigla se viu espremida entre o apoio à chanceler e ao Partido da Esquerda.

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