Grécia é atingida pelo 2º dia de violência após morte de jovem

Policial que atirou em adolescente de 15 anos é preso por homicídio doloso, com intenção de matar

Agências internacionais,

07 de dezembro de 2008 | 14h13

Centenas de manifestantes lançaram bombas de gasolina contra a polícia, quebraram janelas e queimaram veículos nas duas maiores cidades da Grécia neste domingo, 7, no segundo dia de protestos pela assassinato de um adolescente de 15 anos morto por um policial, detido sob acusação de homicídio cometido intencionalmente.   O Ministério do Interior afirmou que um grupo de 30 jovens cercou um carro da polícia e apedrejou o veículo. Um deles tentou atirar uma bomba de gasolina e um policial disparou três vezes, acertando o jovem no peito. A polícia disparou gás lacrimogêneo contra centenas de jovens que iniciaram o tumulto depois que a notícia da morte se espalhou. Manifestantes chegaram ao centro de Atenas e outros enfrentaram a polícia em frente à Universidade Nacional Técnica da capital do país.   O policial grego que matou com um tiro no peito um jovem de 15 anos foi detido neste domingo sob as acusações de homicídio doloso e uso ilegal de arma, enquanto o outro policial envolvido no caso foi acusado de ter sido "cúmplice no assassinato". Apesar dos pedidos de calma do governo grego, a onda de violência recomeçou neste domingo. Autoridades tentam dispersar com gás lacrimogêneo os grupos que incendiavam caixas automáticos, veículos e lojas, em sua marcha de protestos rumo ao quartel-general da polícia. A manifestação era integrada por estudantes, professores, menores e seguidores de diversos partidos que levavam cartazes em protesto "contra a violência do Estado".   Os bombeiros tentavam reduzir os focos de incêndios, gerados durante a passagem de homens encapuzados que, armados com bombas de fabricação caseira e pedras, atearam fogo em pneus para minimizar os efeitos do gás lacrimogêneo. Também na cidade de Salônica aconteceram distúrbios quando mais de mil manifestantes lançaram pedras e bombas incendiárias contra o quartel central da polícia, que conseguiu dispersar o protesto.   Na semana passada ocorreram choques em Atenas entre a polícia e estudantes, quando cerca de 4 mil pessoas participaram de uma manifestação contra uma proposta de reforma na educação. A polícia prendeu 12 pessoas depois que um grupo de manifestantes violentos se separou do protesto e quebrou fachadas de bancos e lojas.   Em 1985 um episódio semelhante deu origem a anos de violência no bairro.E, no meio da violência, estão os moradores de Exarchia. Nas últimas semanas eles protestaram contra o aumento nos crimes e reclamam que a polícia freqüentemente não responde a chamados de emergência e permanece apenas nas delegacias. Segundo a BBC, depois da morte do jovem, policiais uniformizados ficarão ainda mais tensos, trabalhando num bairro que freqüentemente é mais parecido com uma zona de guerra.

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