Grécia fecha plano de austeridade com UE e FMI

A Grécia obteve na quinta-feira o consentimento dos credores internacionais para um plano de austeridade com duração de cinco anos destinado a evitar uma iminente moratória.

INGRID MELANDER E PAUL TAYLOR, REUTERS

23 de junho de 2011 | 18h34

Após um dia de discussões acirradas em Atenas, o novo ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, selou um acordo com inspetores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional a respeito de aumentos tributários adicionais e de cortes nos gastos públicos, com o objetivo de cobrir um buraco de 3,8 bilhões de euros nas contas públicas.

O porta-voz do governo grego, Elias Mossialos, e primeiro-ministro George Papandreou, em um encontro de cúpula em Bruxelas, confirmaram que as negociações tinham sido concluídas e que o projeto de lei seria enviado ao Parlamento na próxima semana.

Papandreou prometeu empenho em aprovar no Parlamento reformas econômicas radicais.

O euro se recuperou perante o dólar com a notícia, e as Bolsas dos EUA reduziram suas baixas após a Reuters noticiar, inicialmente com fontes, o acordo.

Os líderes da União Europeia insistiram que o Parlamento grego deve aprovar profundos cortes nos gastos públicos, mais aumentos de impostos e um amplo programa de privatizações, como condições para garantir a ajuda financeira que a Grécia necessita desesperadamente para evitar uma provável moratória em meados de julho.

Papandreou disse ao chegar à cúpula que estava empenhado em obter na semana que vem a aprovação parlamentar do impopular pacote econômico.

"A Grécia está comprometida, fortemente comprometida, em continuar um importantíssimo programa de grandes mudanças, mudanças radicais, para tornar a nossa economia viável", disse ele a repórteres.

Os líderes da UE também pediram ao líder da oposição conservadora grega, Antonis Samaras, que apoie o programa de austeridade, mas ele manteve a sua recusa em votar a favor do plano.

Enquanto isso, os governos da zona do euro conversam com bancos e seguradoras para tentar convencê-los a manter voluntariamente sua exposição à dívida grega quando os títulos em seu poder vencerem, o que seria parte de um possível segundo plano de resgate financeiro para Atenas.

Venizelos, nomeado na semana passada, queria mudar algumas medidas já aceitas pela Grécia junto à UE, ao FMI e ao Banco Central Europeu, para assim apresentar um pacote um pouco mais suave ao Parlamento na votação prevista para terça-feira.

Dessa forma, ele esperava um pouco mais de boa vontade de opinião pública do seu país com as medidas.

Mas essas mudanças impediriam que Atenas cumprisse suas promessas de austeridade. A diferença acabou sendo coberta com uma redução do limite de isenção do imposto de renda, estabelecido agora em 8.000 euros ao ano, e de uma elevação no imposto sobre o combustível de calefação.

"Nosso objetivo básico é recuperar nossa credibilidade", disse Venizelos.

Se o pacote for aprovado, a UE e o FMI devem liberar uma próxima parcela de empréstimos de emergência --12 bilhões de euros (17 bilhões de dólares)-- em meados de julho, permitindo a Atenas escapar da bancarrota.

(Reportagem adicional de Martin Santa em Bratislava, Ben Deighton e Robert-Jan Bartunek em Bruxelas, Renee Maltezou, George Georgiopoulos, Dan Flynn e Lefteris Papadimas em Atenas)

Tudo o que sabemos sobre:
GRECIAAUSTERIDADEACORDO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.