Grécia fica em último lugar da UE em índice global de corrupção

A Grécia teve o pior resultado entre todos os 27 países da União Europeia em um ranking global da percepção de corrupção no setor público, atrás da ex-comunista Bulgária, em consequência do aumento da insatisfação popular por causa da crise econômica no país.

GARETH JONES, Reuters

05 de dezembro de 2012 | 09h04

O índice, publicado nesta quarta-feira pela entidade Transparência Internacional (TI), mostra que outros países em dificuldades da zona do euro também foram mal, como é o caso da Itália, que ficou atrás da Romênia.

Ao divulgar o índice anual, a TI, com sede em Berlim, disse que governos da Europa e de outras regiões deveriam se empenhar mais em agir contra a corrupção em áreas como concorrências públicas, financiamento de partidos políticos e evasão tributária.

"Os resultados da pesquisa deveriam ser um alerta para a UE para solicitar mais informação e responsabilidade dos seus Estados membro", disse Jana Mittermaier, analistas da TI para a UE, acrescentando que isso deveria valer para os atuais esforços de criação de um mecanismo europeu de supervisão bancária.

Judiciários fracos ou ineficientes, maus serviços públicos de auditoria e relações íntimas demais entre governos e empresas contribuem para a percepção de corrupção em alguns países europeus, segundo ela.

O índice da TI, que neste ano inclui 176 países, mede apenas a percepção de corrupção, e não as irregularidades propriamente ditas, devido à dificuldade em quantificar essas atividades ilegais.

A Grécia ficou em 94a lugar, atrás de democracias mais pobres e mais jovens, como a Bulgária e a Romênia. A Itália ficou em 72o, logo à frente da Bulgária (75o), mas atrás da Romênia (66o). O Brasil foi o 69o no ranking.

No índice de 2011, a Grécia estava em 80o, e a Bulgária era a lanterninha da UE, em 86o.

Os gregos há muito tempo se queixam da corrupção, mas a indignação cresceu, especialmente com relação às evasões tributárias dos mais ricos, enquanto o governo adotou dolorosas medidas de austeridade exigidas por credores internacionais.

Portugal e Irlanda, que como a Grécia receberam resgates da zona do euro, ficaram em 33o e 25o lugares, respectivamente.

A TI alertou que o ranking de 2012 não reflete inteiramente fatos recentes, como o advento de um governo reformista na Itália, porque parte das pesquisas que resultam no índice datam de mais de um ano atrás.

A entidade disse ainda que existe um reconhecimento mais forte da opinião pública mundial, inclusive em grandes economias emergentes, como China e Brasil, sobre os custos da corrupção, e uma crescente recusa em aceitá-los como um fato inevitável.

Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia aparecem na pesquisa como os países menos corruptos. Somália, Coreia do Norte e Afeganistão dividem o último lugar.

Entre as grandes economias globais, os EUA passaram do 24o para o 19o lugar, a Alemanha foi de 14o para 13o, Japão e Grã-Bretanha empataram em 7o, e a França melhorou da 25a para a 22a colocação.

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