Grécia manterá plano de austeridade, diz ministro

A Grécia irá se ater ao seu plano de redução do déficit e os três primeiros meses do ano serão cruciais para recuperar a confiança dos investidores e da União Europeia, disse o ministro das finanças grego em entrevista neste domingo.

REUTERS

07 de fevereiro de 2010 | 10h48

"No que diz respeito ao orçamento, cada dia é um teste crucial para nós. As cifras mensais que divulgamos foram dissecadas pelos mercados e pela Comissão (da UE), mas o primeiro trimestre certamente será crucial", disse George Papaconstantinou em entrevista publicada no jornal Ethnos.

"As medidas que já anunciamos serão implementadas sem hesitação e terão resultado", acrescentou.

No plano fiscal aprovado pela União Europeia na semana passada, a Grécia almeja reduzir seu déficit para abaixo de 3 por cento do PIB até 2012, de um patamar de 12,7 por cento de 2009 --o mais alto da zona do euro.

O governo disse que irá cortar o desperdício no setor público e reformar a taxação para atingir a meta, mas a UE disse querer maiores detalhes sobre as medidas planejadas até 16 de março e os mercados globais ainda duvidam de sua eficácia.

O mercado global de ações atingiu suas maiores baixas em três meses na sexta-feira, parcialmente pelo temor de que a crise fiscal grega se espalhe na periferia da UE, enquanto o euro despencou para seu menor valor em oito meses e meio em oposição ao dólar.

Espera-se que o governo grego mostre como irá lidar com suas preocupações fiscais nesta semana, quando planeja revelar nova política de impostos e salários. Papaconstantinou disse que ambas serão justas.

"Sob estas circunstâncias, todos nós precisamos contribuir de forma justa, de acordo com nossas capacidades, enquanto os mais fracos são protegidos," disse ele. "O plano de corte de desperdício no serviço público segue nessa direção e o plano de taxação também."

O ministro das finanças reiterou que o projeto busca combater a evasão fiscal e irá abolir a ausência de taxação de certas categorias profissionais.

Mas tais medidas são rejeitadas pelos grandes sindicatos trabalhistas do país, que planejam uma paralisação no final do mês.

O sindicato de servidores públicos gregos ADEDY irá realizar uma greve de 24 horas na terça-feira para protestar contra o plano de austeridade fiscal, o primeiro teste sério à política econômica do governo. Os trabalhadores do setor privado também planejam uma greve no dia 24 de fevereiro.

(Reportagem de Angeliki Koutantou)

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