Grécia pede calma após morte de adolescente provocar tumulto

O governo conservador da Grécia lançou à população um apelo por calma no domingo após os piores tumultos de rua em anos terem sacudido várias cidades, desencadeados pela morte de um adolescente baleado por policiais em Atenas. Os protestos começaram na capital grega na noite de sábado, pouco depois de o garoto ter sido morto. Jovens atiraram bombas de gasolina contra policiais da tropa de choque, depredaram vitrines de lojas e atearam fogo a vários carros. Os tumultos rapidamente se espalharam para outras partes do país, incluindo Thessaloniki, a segunda maior cidade da Grécia, e as ilhas turísticas de Creta e Corfu. A situação em Atenas estava calma no domingo, mas ainda havia em algumas ruas barricadas erguidas por manifestantes e veículos queimados, enquanto pedras e garrafas quebradas se espalhavam pelas avenidas principais. Grupos de esquerda convocaram protestos para mais tarde no domingo, na capital. "Com relação às manifestações planejadas, todos têm o direito de protestar, mas não destruindo propriedades ou atacando pessoas inocentes", disse a jornalistas o ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, defendendo a atuação da polícia. "Nenhuma revolta, mesmo que seja justificada, deve levar a protestos como os que vimos ontem. Esses são atos contra os direitos humanos." Pavlopoulos disse que ofereceu sua renúncia, mas que foi rejeitada pelo primeiro-ministro, Costas Karamanlis, cujo governo frágil perdeu três ministros no último ano em função de escândalos. Os bombeiros informaram ter combatido incêndios em 16 bancos, 20 lojas e mais de uma dúzia de carros, apenas em Atenas. A polícia se negou a informar o número de pessoas detidas ou feridas. Dois policiais foram presos em conexão com os disparos feitos contra o garoto de 15 anos, e Pavlopoulos disse que o resultado de um inquérito preliminar será divulgado na segunda-feira. Um comunicado da polícia informou que um dos policiais disparou três tiros depois de seu carro-patrulha ser atacado por um grupo de 30 jovens no explosivo bairro de Exarchia, em Atenas. Testemunhas disseram à televisão grega que o policial atirou diretamente no menino, mas um policial que se negou a dizer o nome afirmou à Reuters que o policial em questão relatou ter disparado tiros de aviso. Um porta-voz da polícia disse que é a primeira vez desde 1985 que a polícia mata um menor de idade na Grécia. O caso anterior desencadeou meses de enfrentamentos quase diários entre polícia e manifestantes.

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